I have begun to ask for you, I who have no need

A minha avó sempre disse que o meu pai nasceu numa sexta-feira, 13.
O meu avô, com a bebedeira, dizem, foi ao registo e declarou-o como nascido a 15.

Embora muita gente pense que o meu pai é natural do Estreito, o meu pai é natural de Câmara de Lobos, é filho de um pescador de olhos castanho esverdeados e de uma doméstica linda de olhos azuis.

O meu pai, esta semana, celebrou 60 anos, 2 dias antes do dia que indica o cartão de cidadão. Não houve bolo, nesse aspecto sempre fomos iguais. O meu pai gosta de comemorar outras datas: a data em que conheceu a minha mãe; o dia em que regressou do ultramar; o dia do casamento; e os dias de nascimento dos filhos que é a chave do totoloto dele. :)

O meu pai é a pessoa em que mais confio neste mundo. É um poço de desejos e segredos, não denuncia nada nem ninguém. É de uma sabedoria e de uma moral que dá inveja. Tem força para encarar a doença da minha mãe com a sua frase preferida: tudo se resolve. O meu pai é a minha companhia, sempre que estou na Madeira, na ida ao café da esquina para tomarmos a bica depois do almoço. O meu pai não parece ter 60 anos, acho que só lhe dão a idade que tem porque sabem que tem uma filha velha como eu. :)

O meu pai só tem um defeito. É benfiquista ferrenho, é daqueles benfiquistas que irritam profundamente por saber a história toda do clube, nomes de treinadores, jogadores, datas de títulos, penaltís falhados, etc...
é pena. :)


Música: Leonard Cohen - Avalanche (ver vídeo)

7 comentários:

  1. Não foi grave.A minha Mãe só foi registada meio ano depois... :)

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  2. e ser benfiquista não é defeito: é das suas maiores virtudes. só por isso é que ele reúne todas as qualidades que nele reconheces ;)

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Amiga, passo sempre por aqui, acompanho-te pelo Reader mas, a verdade, é que raramente comento (aqui e noutros lados). Hoje ao ouvir-te falar assim do teu pai não resisti em dizer-te que achei este post bonito.
    O meu também era o meu companheiro. Tomávamos café juntos, imperiais, caracóis e sei lá que mais. Era das poucas pessoas com quem eu conseguia estar uma tarde inteira sem abrir a boca, ele e eu, e sentirmo-nos bem os dois. Chegávamos a trocar olhares quando algo se passava à nossa volta e sorríamos, cúmplices, a pensar o mesmo e sem precisarmos de dizer nada. Tal como o teu, o meu pai tinha esse 'defeito'. :)
    Filho duma Espanhola, fugida para cá da guerra civil, nos anos 30, herdou o defeito de quem acha que tem sempre razão por isso quando me falava em pormenores da história do seu clube que eu sabia estarem errados eu dizia sempre que ele sofria jet lag e ele respondia-me sempre que não dava crédito a melancias nesses assuntos (porque eu fiz anos a fio desporto no Sporting só porque era o clube mais perto de casa e, sendo benfiquista, como ele, ele achava que eu era verde por fora e vermelha por dentro).
    Fizeste-me sorrir a lembrar-me destas coisas. Obrigada.
    Bom domingo!

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  5. WOAB: lol. Pois, o meu pai como foi o mais novo teve mais sorte. ;)

    Sancho: o meu pai vê os jogos todos. Todos. SportTv, RTP, SIC.
    E sabes que mais? quando ele esteve cá em Lisboa ele e o meu irmão foram ao estádio e ele chegou a casa todo orgulhoso com um punhado de relva que arrancou do relvado. :P

    Cenoura linda... ao tempo! ;) E sim, neste caso com o meu pai tb passamos momentos juntos sem nada dizer. O meu pai diz que sou do FCP só para o contrariar, que no fundo, no fundo sou vermelhinha. :)

    Jinhos a tod@s.

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  6. Ser Benfiquista é, naturalmente, mais outra das suas grandes virtudes, isso sim!! :o)
    Beijos

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  7. Ora…, cá está: “O meu pai diz que sou do FCP só para o contrariar, que no fundo, no fundo sou vermelhinha. :)”
    Juro mas juro mesmo (e eu raramente juro alguma coisa), que escrevi o outro comentário sem ter lido isto. Parece que não me enganei por ai além.

    :))

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