De viagens e outros assuntos #09

Para poder sair de Angola usando o aeroporto de Luanda passo por vários postos de controlo. (Há que dar emprego aos angolanos).
  1. Para poder ter acesso ao balcão de check-in, e que são menos dos que os que existem no Terminal 2 de Lisboa, temos que mostrar o bilhete de avião e o passaporte para passar toda a nossa bagagem por uma grande máquina de Raios-X e poder ir para a zona de acesso ao balcão de check-in 
  2. A fila sempre interminável no balcão de check-in. De um lado, os que já fizeram check-in online (que é sempre o meu caso), do outro os que ainda vão sujeitar-se a um lugar atribuído pelo sistema. A validação do talão de embarque é validada no sistema.
  3. Já só com a bagagem de mão, mostro mais uma vez o passaporte a um senhor que está a validar se podemos continuar e ir para a área de controlo de bagagem de mão onde somos quase despidos. 
  4. Após a confusão de tirar o cinto, sapatos e de ser revistada porque o soutien tem arames temos mais uma fila pela frente. A fila da alfandega onde colocam no nosso passaporte o tão desejado carimbo de saída. A validação do passaporte é realizada no sistema de Serviços de Migração e Estrangeiros.  Mas, não pensem que fica por aqui.:)
  5. Como a moeda de Angola, a Kwanza, é uma moeda muito preciosa, ou seja, fora do país não vale de nada e nem a trocam nos Bancos, somos encaminhados a uma sala, tal como nos filmes, onde nos questionam se temos valores em Kwanzas e Dólares. Eu respondo sempre que não. :$  Até Euros já me perguntaram se tinha que era para pagar a gasosa às "amigas".  
  6. Após este procedimento que pode durar até duas horas, finalmente consigo sentar-me numa cadeira da área de espera comum num piso superior e descansar à espera que surja um senhor a Gritar: "Avião para Lisboa, Avião para Lisboa, Avião para Lisboa". E aí sim, já posso dirigir-me à zona da porta de embarque. Só existem duas portas de embarque e nas minhas cinco partidas Luanda-Lisboa foi sempre usada a mesma. Será que desta vez será diferente?
  7. Mais uma fila, uma não, duas, divisão entre o check-in online e o check-in normal. Desço ao piso da porta de embarque e duas senhoras estão lá ao pé de duas mesas que bloqueiam o acesso à sala de espera da porta de embarque. Rasgam-nos o papel do check-in e deixam-nos passar para a sala de espera da porta de embarque. Não existe qualquer validação no sistema.
  8. Sento-me numa cadeira até começarem a chegar os autocarros. Quando os autocarros começam a realizar o transporte, os viajantes tal como eu tentam fazer fila ordenada, sem controlo por qualquer funcionário, para chegar à porta que automaticamente abre e fecha e que dá acesso ao autocarro. Do lado de fora dessa porta existe um outro senhor a quem temos que mostrar o nosso talão de embarque já rasgado. Não existe qualquer validação no sistema.
  9. Meto-me no autocarro. O autocarro move-se. Saio do autocarro. No início das escadas que dão acesso ao avião mostro novamente o meu talão de embarque a mais um funcionário angolano. 
  10. Ao entrar no avião mostro o talão de embarque aos comissários de bordo e dirijo-me ao meu lugar, meto a bagagem de mão no sítio certo e sento-me. Aperto o cinto, meto a almofada nas costas, preparo já o cobertor para me aquecer e só neste momento estou pronta para 7h30m de viagem.

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