Filme: Medianeras (2011)



Medianeras é um filme inteligente que tenta examinar como a arquitectura de uma cidade influencia as condições de vida de dois de seus moradores que revelam isolamento, ansiedade, e outros sinais da vida moderna numa grande cidade, e como o caos urbano, bem como as novas tecnologias conseguem unir pessoas e ao mesmo tempo mantê-las separadas,... como as paredes que dão nome ao filme. 
“Só a luz da manhã tão clara me deixou ver com clareza o reflexo. Tarde, como sempre, percebi que era eu na montra. Como um manequim: imóvel, silenciosa e fria. Todos os prédios, todos mesmo, têm um lado inútil. Não serve para nada, não dá para a frente nem para as traseiras. A “medianera”. Superfícies que nos dividem e lembram a passagem do tempo, a poluição e a sujidade da cidade. As “medianeras” mostram nosso lado mais miserável. Reflectem a inconstância, as rachas, as soluções provisórias. É a sujidade que escondemos debaixo do tapete. Só nos lembramos delas às vezes, quando submetidas ao rigor do tempo elas aparecem sob os anúncios. Viraram mais um meio de publicidade que, em raras excepções, conseguiu embelezá-las. Em geral, são indicações dos minutos que nos separam de supermercados ou de restaurantes. Anúncios de lotaria que prometem muito em troca de quase nada. Ultimamente, lembram a crise económica que nos deixou assim… sem emprego. Para a opressão de viver em apartamentos minúsculos, existe uma saída. Uma rota de fuga. Ilegal, como toda rota de fuga. Em clara desobediência às normas de planeamento urbano, abrem-se minúsculas, irregulares e irresponsáveis janelas que permitem que alguns milagrosos raios de luz iluminem a escuridão em que vivemos.”


Este filme devia ser obrigatório para os arquitectos, para os que buscam a imperfeição nos padrões, para os fotógrafos, para os fotógrafos amadores, para os apaixonados por fotografia, para os engenheiros paisagísticos (se é que existem), para os que tentam ordenar e planear o território/cidades, e acima de tudo para os que sozinhos procuram... algo. 

Por este mundo virtual encontrei dois trailers deste filme, e apesar do trailer abaixo mostrar mais sobre o filme, eu gostei particularmente e muito mais do outro a que aconselho ver, para que possam perceber melhor a essência do filme. Porque ele é lindo, muito lindo. 

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