Death and Post-Mortem Privacy in the Digital Age #01



Hoje em dia toda a gente tem, numa plataforma qualquer, um perfil online. Um perfil que permite partilhar as boas e as más notícias, as imagens que nos fazem felizes, passar horas em jogos, encontrar e re-descobrir amigos que algures no tempo perderam-se. Muitos desses contactos não têm qualquer interacção com esse perfil, e outros tantos só foram adicionados porque são amigos de um amigo e porque fica mal não adicionar. O meu irmão adicionava toda a gente como 'amigo'. 

Quando o dono desse perfil morre e a notícia se espalha, e num momento em que a família ainda está a lidar com a novidade, telefonam-nos porque souberam da notícia porque o mural do facebook do defunto estava a ficar cheio de mensagens ... mensagens, mensagens.

Nas horas depois da morte, tratamos logo de bloquear a possibilidade das pessoas escreverem no mural. Mais tarde, talvez uns dias tarde demais, e com mais calma, tratamos de guardar todas as fotografias que ele lá tinha para mais tarde organizar, e cancelamos a conta. 
No intervalo de tempo entre o dia do bloqueio do mural até ao dia da desactivação da conta, os amigos do defunto decidiram partilhar fotos do defunto, e de repente a família é invadida por mais um dilema: Como lidar com estas pessoas que não nos são nada, mas que de algum modo são algo para o defunto?  Essas pessoas começaram a enviar pedidos de amizade aos irmãos do defunto. 
De todas as pessoas que me pediram 'amizade', eu recusei. Não aceitei nenhum pedido de amizade e o meu irmão A. até eliminou o perfil dele.
Desde quando as regras da sociedade obrigam-me a ser amiga de pessoas que não são do meu mundo, do meu círculo? Não basta respeitar, ser simpatica, amável e tratá-la com educação? Tenho que a trazer para o meu circulo privado de dor? 

Será que é anti-social poder viver a morte em silêncio e na solidão familiar? 



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