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Filme: Alda e Maria (2011)




7/10

Sinopse
No fim do verão de 1980, Alda e Maria, duas irmãs de 16 e 17 anos, chegam a Lisboa para fugir da guerra civil em Angola. Entregues a si próprias, terão de aprender a sobreviver numa cidade estrangeira. Quando os problemas se tornam quase insuperáveis, chega uma terrível notícia. Paradoxalmente, é essa notícia aterradora que lhes dá a força para decidir os seus próprios destinos. (retirado de LX Filmes)


Opinião
Fui ver este filme influenciada pela excelente entrevista que a realizadora deu no programa de rádio CineMax da Antena 3. Com o bichinho angolano cá dentro, que não sai e que me entristece a cada história que ouço e presenceio, quis ir imediatamente ver o filme. E não me arrependi.
Alda e Maria é apenas uma entre muitas histórias de famílias completamente destruídas pela Guerra Civil. 

O Filme deveria ser obrigatório para determinadas pessoas que não percebem o que é ajudar refugiados de guerra. 

Espero sinceramente que a realizadora não fique por aqui e explore muito mais as histórias angolas.

Music is Love in Search of a Word #90


É tanta luz aqui - Que até parece claridade
É tanto amigo aqui - Que até parece que é verdade 
É tanta coisa aqui - Que até parece não há custo 
É tanta regra aqui - Que até parece um jogo justo 
É tanto tempo aqui - Que até parece não há pressa 
É tanta pressa aqui - Que até parece não há tempo 
É tanto excesso aqui - Que até parece não há falta 
É tanto muro aqui - Que até parece que é seguro 
 Tanto, tanto, tanto 
Na embriaguez do encanto 
É tanto ‘tanto faz’ 
Que ninguém sabe quem fez 
Mundo, gira, mundo 
Mundo vagabundo 
Não olhes, senão vês 
 É tanta pose aqui - Que até parece não há esquema 
É tanta História aqui - Que até parece um problema 
É tanto festa aqui - Que até parece sexta-feira 
É tanta dança aqui - Que até parece a das cadeiras 
Tanto flash aqui - Que até parece que ilumina 
É tanta frase aqui - Que até parece que resolve 
É tanto ecrã aqui - Que até parece um grande invento 
É tanta força aqui - Que até parece um movimento. 
 É tanta coisa aqui - Que até parece não há custo 
É tanta regra aqui - Que até parece um jogo justo 
É tanto excesso aqui - Que até parece não há falta 
É tanto dano aqui - Que até parece ninguém nota


Aline Frazão - Tanto

You can't take a picture of this. It's already gone #15

Algumas das fotografias que tirei durante duas actividades em que participei: 
- Passeio Reviver Luanda com Alma 
- e outras no 1º Instawalk Views of Angola.


"Mais outro fim de tarde cinzento ao relento, A alma vazia, o amor já não chega, É uma casa vazia onde mais ninguém entra." Aline Frazão (música Rascunhos)  #porumaluandacomalma #luandando #luanda2015 #viewsofangola #african_portraits #african_ig
Largo Infante D. Henrique
" Só cada dono poderá saber do tamanho do seu vazio"  Ondjaki  #viewsofangola #luanda2015 #deviagenseoutrosassuntos #african_ig #igs_africa #blackandwhite
Travessa da Sé
Rua dos Mercadores  #walkingaround #viewsofangola #luanda2015 #african_ig #african_portraits #igs_africa #ig_angola
Rua dos Mercadores
#instawalkvoa1 #viewsofangola #instawalk #ig_angola #luanda2015
Travessa da Sé
#instawalkvoa1 #viewsofangola #luanda2015 #african_ig #instawalk #ig_angola
Rua Major Kanhangulo
Livraria fechada e abandonada #instawalkvoa1 #ruinology #luanda2015 #instafrica #ig_angola #nossalingua_raiz
Rua Rainha Ginga

Horror do vazio por Pepetela (escrito em 2008 e tão actual)

"Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. 

Não é forçosamente para amealhar umas comissões, como imediatamente pensam os nossos cérebros borrados de preconceitos, embora uns tantos aproveitem. Nada de novo, afinal: o mundo está cheio de processos por causa do imobiliário e o cinema e a literatura até já esgotaram o tema. O que me preocupa é muita gente estar sinceramente convencida que isso é que é bonito e assim é que será viver bem. Têm horror ao vazio que nas suas cabeças significa uma praça, um jardim, um parque, um desperdício de espaço que ficaria melhor com uma torre no meio (antes dizia-se arranha-céus, mas reconheço o exagero americano ao inventar o termo, porque os céus não têm costas, são da natureza dos anjos, e ninguém imaginaria um edifício a arranhar as costas de um anjo). Torre é melhor, lembra logo aquelas construções onde se enfiavam os prisioneiros para morrerem lentamente, como a célebre Torre de Londres, ou onde se aninhava o povo da Europa medieval para se defender de ataques. Torre sim, pois os seus utentes/prisioneiros vivem no medo de sair à rua, de viver a cidade, enclausurados e protegidos da miséria que espalham à volta de si. 

Queixamo-nos do trânsito na baixa da cidade (não só na baixa, sejamos justos) e nem sempre escapamos de lá cair, porque ali está concentrado mais de metade do capital financeiro e dos serviços do país. E querem fazer mais torres, para atrair mais gente e mais carros? Que as torres vão ter parques de estacionamento, dizem os defensores das ideias futuristas. O problema é entrar ou sair dos parques, porque as ruas estão atulhadas de carros. Claro que há uma solução do mesmo estilo: fazer as ruas da baixa com andares, género auto-estrada em fatias sobrepostas, ou até com viadutos por cima dos prédios, a arranharem as nuvens. Isso seria um arranhanço útil. E já agora peço, façam um túnel por baixo da baía ou uma ponte a ligar o bairro Miramar à Ilha, assim chegamos à praia em cinco minutos, como era há vinte anos atrás. Como de todos os modos a ideia geral é dar cabo da baía e da Ilha, também tanto faz, mais ponte menos ponte... Suponho também que já deve haver negociações para se tirar a Igreja da Nazaré do sítio onde está, a ocupar indevidamente um espaço nobre para mais uma torre. Uma pequena concessão não fica mal, mantém-se a igreja na cave do edifício. A História que se lixe, não foi a lição da destruição do palácio de D. Ana Joaquina? Então continuemos. Neste afã de ocupar todos os espaços, proponho também acabar com o prédio dos correios, bem feio e sem valor arquitectónico por sinal, e já agora com a praceta à sua frente, outro desperdício de espaço. E aquele compacto e azul edifício que serve a polícia? Um quarteirão inutilizado! A polícia pode ocupar um andar da nova torre. Com menos agentes, claro, para se fazer encolher o Estado, assim mandam os compêndios do liberalismo económico, nossa nova Bíblia. Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem."  
 Pepetela 

(retirado do site esquerda.net)


"(...) afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda.(...)" Pepetela   http://www.esquerda.net/content/horror-do-vazio-um-texto-de-pepetela-sobre-luanda #luandando #luanda2015 #viewsofangola


Dados da fotografia: 
Autor: Eu 
Data: 16-Agosto-2015 
Local: Eixo Viário, Luanda, Angola

Livro: Dália Azul Ouro Negro - Viagem a Angola de Daniel Metcalfe


Sinopse 

Desde 2002, após 27 anos de uma horrífica guerra civil, Angola mudou drasticamente. O enorme crescimento económico, sustentado pelos lucros do petróleo, trouxe um maciço investimento externo e criou uma nova aristocracia, fabulosamente rica, extraordinariamente açambarcadora, transformando Luanda na segunda cidade mais cara do mundo. Um país de contrastes: ao enorme exército e à sede de poder contrapõe-se a triste realidade de uma população mergulhada na mais profunda pobreza, graças ao saque das riquezas nacionais por um punhado de angolanos. Daniel Metcalfe envolve-se nesta intensa realidade e atravessa Angola de lés a lés. Caminha lado a lado com o povo angolano, fala com chefes tribais, trabalhadores petrolíferos, mineiros e crianças de rua."Dália Azul, Ouro Negro" é uma crónica da história de Angola, em que não faltam pirataria, escravatura, a lendária rainha Ginga e até monges capuchinhos. País-símbolo de um ponto de viragem histórico, em que África se impõe ao mundo desenvolvido sem, no entanto, resolver as graves contradições que a afligem, Angola permanece indecifrável aos estrangeiros. É essa barreira que Daniel Metcalfe consegue superar. 

Minha opinião
Sobre a Angola Actual, uma escrita realista, um olhar crítico e sincero, sobre os trabalhadores dedicados, humildes e com sede de aprender, fala sobre aqueles que não querem saber de nada e que acham que os 'estrangeiros' é que devem fazer tudo.
Fala também sobre a falta de respeito, as fraudes, a corrupção, a ilusão de que a cor branca é sinal de dinheiro, as intoxicações alimentares, os mosquitos, o trânsito, mais uma vez a falta de respeito pelas regras e o que se sente diariamente,a ingratidão quando se ajuda. Está tudo neste livro, que depois de começar não se consegue deixar de lado.

Dália Azul Ouro Negro - Viagem a Angola by Daniel Metcalfe
My rating: 4 of 5 stars

Livro: Mais um dia de Vida de Ryszard Kapuściński



Sinopse
Setembro de 1975: Luanda, a capital de Angola, está cercada.
Gigantescos caixotes de madeira, cheios com todos os bens móveis imagináveis, amontoam-se nas docas. Os portugueses e os seus haveres vão partir, abandonando a cidade de Luanda a filas e filas de carros muito bem estacionados e às matilhas vagabundas de cães de luxo - a um vazio e desolação crescentes.
Ryszard Kapuscinski foi a Angola fazer a cobertura da última fase da luta que pôs fim a quatrocentos anos de domínio colonial português. Viajando pelo campo, deparou-se-lhe uma guerra bizarra e mortífera dentro da guerra pela independência nacional. Três exércitos de guerrilha maltrapilhos estão envolvidos numa batalha sangrenta para decidir quem governará o país libertado - um jogo brutal, em que os jogadores mal se conseguem distinguir uns dos outros.
Kapuscinski está no meio de tudo isso. Ao aproximar-se de cada posto de controlo em estradas cheias de entulho e cadáveres, pergunta-se vezes sem conta: De que lado estão estes soldados e o que será de mim?
Um relato admirável de um país dividido pela sua liberdade recém-adquirida, escrito com magistral domínio de tom e de ritmo.
O sofrimento e o caos mortífero da guerra civil e colonial em Angola são os tópicos deste livro forte e comovente.

Minha opinião
Excelente trabalho jornalístico, feito no terreno, sobre os dois meses que antecederam o 11 de Novembro de 1975, em Angola.
Obrigatório ler.





My rating: 4 of 5 stars

De viagens e outros assuntos #18



"A Aventura pode te ferir. Mas o Tédio vai te matar". 



Dados da Foto:
Local: CIF Angola, Luanda
Data: 03-Julho-2015
Autor: eu

Kandandu Angola 2015



Cinco anos depois da minha primeira longa estadia por , regressei por duas temporadas.

Soltas #34


Talvez

Talvez ser mulher 
Não prenda o amor
Neste momento?
Talvez o chão que eu piso
Não deixa de ser o meu destino?
Talvez serei tango?
Rumba
Semba
Lembrança
Poesia
Rebita?
Eu não tenho culpa
Eu não peço desculpa
Sou mulher
Com sabor a cultura

na página 28 do livro Dormir no Chão de Alice Palmira 





Livro: Dormir no Chão

Talvez a melhor descoberta que tive este ano, em Poesia. 
Descobri o livro / escritora numa ida ao Consulado de Angola. 
E maravilhei-me. 

Recomendo a leitura.


DORMIR NO CHÃO de Alice Palmira - Mini-Entrevista por migueldhera

Livro: Parábola do Cágado Velho


Sinopse:
"Falo de um amor e de uma transgressão. Que sabe, talvez a transgressão nunca fosse possível. Mas a granada existiu, essa granada que traçou no ar espantado do planalto a figura da mulher amada. Mas uma granada, mesmo com tal magia, pode materializar um mundo?"


A minha opinião: 
Li-o na viagem Lisboa - Luanda do dia 3 de Junho e já há algum tempo estava para escrever o que senti ao ler.
É complicado para mim escrever de algo que gosto muito e que conheço, e Angola, a Angola profunda, a Angola das Aldeias (dos Kimbos) dos sobes (chefe da Aldeia), da falta de água, das galinhas que alimentam as bocas dos sobreviventes das aldeias... da minha viagem ao interior de Angola em Maio de 2011. Foi-me difícil colocar o livro de lado e adormecer, tive que o acabar antes que o avião aterrasse e eu voltasse a sentir o bafo de África, porque a lembrança da cor da terra, do cheiro, da humidade, das dores e dos desejos de certas personagens estava presente.
E antes que tudo mudasse, antes que perdesse toda a boa memória com nova vivência em Angola, o livro transportou-me graças à lembrança, tal como o avião literalmente até Angola.
Sobre o livro, Pepetela disse que 
“deve ser lido e esquecido logo que fechado. Para que não desperte os maus espíritos da intolerância e da loucura. Os mais velhos sabem, não devemos relembrar aquilo que nunca aconteceu”.
E foi o que fiz, deixei-o em Luanda nas mãos de um amigo que precisava/precisa de criar boas memórias do país. 

My rating: 4 of 5 stars

Kandandu Angola 2012

Já se passaram três dias (72 horas) desde o meu regresso de Luanda.
Entre o dia do meu regresso e este momento fui à Madeira, comi cerejas e fiz o papel de boa tia, irmã e filha.
Regressei da ilha, trabalhei dois dias.
Daqui a pouco vou para a festa do Santo António e antes de abandonar o local de trabalho decido escrever. 

No corpo tenho o peso de dois anos de ponte aérea, doze (12) viagens a Angola, e as consequências do stress de três gasosas. 
No coração ficou o país que me marcou, e ainda marca. Um país que tem vindo a mudar, a crescer, emocionalmente, estruturalmente, fisicamente.
Na alma a sensação de que Angola fez de mim uma pessoa melhor, mais tolerante, mais paciente, e acima de tudo mais confiante.  E aqui tenho que agradecer a todas as mulheres angolanas que conheci, porque elas têm uma auto-confiança surpreendente. Com elas aprendi que se pode ter quilos a mais, usar copa C e ser sensual. Com elas aprendi a não esconder os lábios carnudos, com elas aprendi que o mundo é mesmo das mulheres, e acima de tudo com elas apercebi-me do quanto a mulher africana sofre. Muitas mulheres carregam o peso do sustento da vida delas, dos filhos e do marido na cabeça e às costas. Os homens, por mais que digam que fazem, têm sempre uma grande mulher a decidir por ele, tal como no resto do mundo. 
Julho de 2010 (Estrada Luanda - Benguela, Angola)





Smile It's Friday #74


Conduzo em Luanda e sei muito bem o que é trânsito e 'ser mandada parar...'.


Em conversa com um amigo



Ele só foi a Angola uma vez, e eu onze. Falamos de tudo e como é óbvio, o preço dos bens veio à baila.
Pergunta-me ele: "O que é que é barato em Angola?"
Cerveja, digo eu.
não, outra.
Combustível. 
Sim, e tabaco. 
Ah, eu não fumo, mas sim um maço de tabaco é mais barato que uma Cuca. 

E se a vida real fosse um cartoon, por cima da minha cabeça surgiria o pensamento em forma de saudade dos momentos que deliciei-me com Cuca acompanhada de lagosta, que é mais barata que uma bifana no prato, em Cabo Ledo ou na ilha de Luanda.




Cheguei a pagar 150kwanzas por uma Cuca (33cl) e 300Kwanzas por uma garrafa de água de 20cl.
Muita cerveja bebi eu nas onze viagens que fiz. 






17. Water







Foi das viagens mais longas que já fiz.
Mais de mil quilómetros num fim-de-semana, no domingo à noite doía-me o rabo, as costas, as pernas, cheirava a jipe e ainda conseguia ver as baratas da pensão em que fiquei em Malanje.


Mas valeu tanto a pena visitar as
Cataratas de Kalandula.


Nunca hei-de esquecer a força da água e o meu estado pávido e sereno ao contemplar tal maravilha da natureza.





Foto tirada com o BB a 15 de Maio de 2011.

Do trabalho



"If you want to make enemies, try to change something." 
                                                                             Woodrow Wilson

IT Crowd, Darwin e Angola


Um dia hei-de apresentar IT Crowd como um documentário sobre a criação da vida virtual a algumas das pessoas com que trabalho em Angola.
Aposto que acreditariam.


Todos os processos à primeira vista são complicados.
Todas as regras servem para facilitar esses processos.
Complicar aquilo que já era complicado não é fácil. Se quiser transformar algo simples como um check-in pergunte a um angolano.
OU melhor, pergunte a uma data deles porque até entre eles cada um tem a sua visão do processo e cada um quer controlar a sua fila de espera.