There is nothing in the world that you cannot do



O nosso dia-a-dia nunca é como planeámos.
A nossa vida hoje não é, muitas das vezes, como sonhámos.
Os sonhos que tivemos podem ser os pesadelos que temiámos.
Todos os dias temos que lutar arduamente pelo que queremos.

Aos 33 já temos alguma desta lengalenga decorada e fazemos parte da história.
Aos 33 já sabemos que temos que dar mais valor a nós e aprender a prioritizar as nossas preocupações.
Aos 33 duvidamos mas acreditamos que há esperança no próximo.

Mas, aos 22? Aos 22 acreditamos no príncipe encantado e que temos amigos em todos os que nos rodeiam.
E nós com 33 adoramos ver o olhar brilhante e cheio de esperança das mulheres de 22.

Mas, quando essa mulher de 22, é irmã de uma das nossas melhores amigas da Madeira. E quando essa nossa amiga nos liga a dizer que precisa da nossa ajuda que a sua irmã mais nova só chora ao telefone e que parece que está a entrar em depressão, nós, as de 33, pegamos nas nossas armas e bagagens e vamos ao encontro da miúda de 22.

Já não a via desde Janeiro, mas ao chegar ao pé dela, e ao vê-la com outros olhos, vieram-me à memória a altura de quando lhe cairam os dentes de leite ou de quando ela era mais uma adolescente a ajudar-nos na elaboração do Tapete de flores. Está tão magra e com olheiras... parecia uma miúda sem brilho. :(
Estava calma, falou comigo com calma, conseguiu comer alguma coisa, mas depois quando lhe disse que a ia levar a um especialista ela começou a chorar e a dizer que não estava louca. Estava presa por um fio.

Nós não estamos loucas! Nós somos umas loucas, e as loucas de vez em quando precisam de ajuda.
Precisamos de ajuda para que a loucura não nos consuma e possamos descansar um pouco de vez em quando.

Hoje ela segue de volta para a Madeira. Espero sinceramente que ela lá consiga ter PAZ, a Paz que não consegue ter cá e a calma que só a família e o namorado lhe podem dar. Espero também que o médico consiga ajudá-la no processo de transferência e que ela fique colocada na Madeira.

Uma miúda de 22 anos que acabou o estágio precisa de apoio.
Uma miúda de 22 anos precisa do apoio dos colegas de trabalho. Chamá-la de maçarica não ajuda em nada. Os colegas de trabalho são uma segunda família.
Uma miúda de 22 anos precisa de apoio... precisa de acreditar que tudo vai correr bem.
Uma miúda de 22 anos que na primeira semana de trabalho depois do estágio e longe da família e do namorado descobre que está grávida precisa do apoio de todos os que as rodeiam.

Porquê é que há tanta gente a sentir prazer em tornar este mundo um mundo pelo qual não vale a pena lutar?



Música: India Arie - Beautiful Flower

5 comentários:

  1. vai tudo correr bem... e ela vai voltar a ver o brilho no mundo..pk a verdade é que só tem 22...

    ResponderEliminar
  2. Com o apoio da família e do namorado, eu acredito que ela vai ficar bem.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Espero que daqui a outros 22 anos, a tua amiga olhe para trás e veja que tudo valeu a pena!

    Bjs
    FallenAngels

    ResponderEliminar
  4. Texto sentido! Mas não te preocupes, ela vai recuperar. Não te esqueças que aos 22 somos marcados pela tragicidade! Acho que todas as grandes obras trágicas, desde Mandala, a Romeu e Julieta, foram escritas aos 22 anos. O trágico está logo debaixo da pele. Mas nem o mundo é tão trágico quanto nos parece, aos 22, nem as dores são tão marcantes.
    Boa sorte à tua amiga e cumprimentos para ti!
    Gostei de descobrir este teu blog.

    ResponderEliminar
  5. Aos 33 anos já se é uma espécie de âncora para os irmãos mais novos dos amigos...

    ResponderEliminar