As noites em Angola #2.23

(Aviso: este é um post com referências a muitas marcas de perfumes e a merda) 


"I love reality. I love the world. I love the smell of it. I love it."  Andrea Corr

Sou fiel aos meu perfume (perceberam a mistura do plural com o singular tão característico deste povo?).
Sou sensível a cheiros. E o pior que me aconteceu cá é de uma futilidade tal que sinto-me por vezes envergonhada em contar. Deixei cair o meu D&G. O frasco do meu perfume partiu-se em mil e um pedaços e tive que ir às compras cá! Desembolsei quase 8.000kwanzas por um perfume! Mas, sem perfume 3 semanas é que não ficava! 
Sou um pouco como a Marilyn Monroe, “What do I wear in bed? Why, Chanel No. 5, of course.”  mas com pijama. Mas, isso é outra história. :)  
Não fui ao Belas Shopping! Por favor, não me mandem para centros comerciais num país destes. Tenham dó da tuga que odeia centros comerciais. Andei pelas ruelas de Luanda à procura de perfumaria. E não havia em lado nenhum o meu Light Blue! Sucumbi ao desejo de ter um perfume e acabei por comprar o Very Irrésistible da Givenchy. Durante um dia cheirei apenas a desodorizante da Dove e a Body Lotion de Mango da Body Shop.
Se me perguntarem a que cheira Luanda, respondo imediatamente que cheira a churrasco, a banana, a mar, a barro, a amendoim - ginguba, a pêra abacate,  a mijo, a cerveja, a húmido, ...
Na rua o cheiro que mais sinto é o da banana, da mandioca assada e dos pneus das motos a aventurarem-se! Quando subo ao terraço do prédio onde estou a trabalhar sinto o cheiro a churrasco, de salsichas, de carne de porco, ... de frango assado!
No Roque senti o cheiro a merda! 
Na estrada Luanda-Benguela senti o cheiro a terra húmida! Sabem aquele cheiro da terra quando chove depois de muito tempo sem chover? Eu senti isso! 
No Miradouro da Lua, fechei os olhos e senti o cheiro da Madeira. O cheiro a orquídeas. O cheiro da vinha que nesta altura já começam a dar cachos. O cheiro das ondas quando batem no calhao. O Miradouro da Lua tem os cheiros que mais sinto falta.
Na praia sinto o cheiro dos barcos a passar, do mar quente e calmo, da ginguba, dos perfumes caros dos  brancos e das 'princesas angolanas', do perfume barato dos vendedores. 


Já me questionaram se não sinto o cheiro a catinga no ar! Não sinto. Na rua o vento faz questão de me dar a conhecer e de levar com ele os vários cheiros! Dentro dos edifícios os ares condicionados estão sempre ligados.
A que cheira mesmo Luanda? Não sei. Todos nós temos cheiros diferentes!
No meu quarto cheira a mim. 
Dados da foto:
Autor: eu
Data: 18-Julho-2010
A senhora que vende caju assado na Praia da Ilha de Luanda, Angola


P.S. - Catinga vem do guarani kati, que significa 'cheiro forte'. 




As noites em Angola #2.22

As estradas desta cidade estão em pior estado que as estradas da zona do Bairro das Malvinas há 20 anos atrás. A sério. Já vi buracos enormes no meio da estrada e para tapar a solução foi encher a pequena cratera de entulho e problema resolvido. Há brita espalhada pelas estradas. Os passeios estão cheios de terra, terra mesmo, que dá para plantar umas árvores. No trajecto que faço diariamente desde o final de Junho tenho observado o alargamento de um buraco no passeio. E não vejo obras nas estradas. O máximo que já vi foi colocarem semáforos. Mas, não há respeito pelos mesmos. Para as motos o sinal está sempre verde...mesmo quando o verde é tinto!   
Até ao momento ainda não tive problemas com carros, mas a primeira coisa que me disseram é que se eu, algum dia, atropelar alguém não devo parar, devo dirigir-me imediatamente à polícia e entregar-me. Porque se parar para ajudar a pessoa que atropelei corro o risco de ser chacinada, pois a família da vítima de certeza quererá vingar-se do meu acto.
As deslocações a algum lado demoram eternidades. Falta de planeamento urbanístico. Falta de estradas e de alternativas às existentes. Falta de respeito pelos sinais. Falta de semáforos. Falta de sinais. Polícias que não estão preparados para a confusão que é o trânsito de uma grande cidade. Já vi semáforos a vermelho e vi os polícias lá no meio do cruzamento parados só a ver os carros passar. Parados. Literalmente parados com a sua moto no meio do cruzamento. 
Na estrada Luanda-Benguela ainda se nota vestígios da Guerra Civil. Há tanto pó e terra por todo o lado.  Acho que aqui e dada as condições das estradas deviam apostar nas vias ferroviárias!  
Vi um comboio na Rua da Embaixada dos Estados Unidos! É peça de museu. Dizem que era usado na altura em que Angola era colónia.  Há um outro comboio que faz Viana - Porto de Luanda. Mas, também fui informada de que o comboio não faz mais do que duas viagens por dia.
E o mais interessante é que mesmo com estas 'espécie de estradas', vemos passar por nós imensos carros de luxo. Entre eles, o Panamera.
Dados da foto:
Autor: eu (com o BB)
Data: 17-Julho-2010
perpendicular à Avenida Amílcar Cabral, Luanda, Angola





Musicoterapia: But they sound like a million colours in your mind.



Música: Katie Melua - Spider's Web

As noites em Angola #2.21

Este fim-de-semana foi recheado de boa disposição. Eu fui apelidada de branquinha. Diziam que era ou angolana, ou mulher africana, ou europeia, ou branca.
O jantar foi feito em casa delas e eu não podia mexer uma palha.
Ai.. que estás a fazer? Branquinha não lava louça! Jantar está pronto, branquinha já quer comer? só pomos a mesa quando a branquinha quiser comer.  (tentar ler com sotaque angolano)
No fim da noite, no Dom Q., fui considerada africana por aguentar a noite toda a dançar. fui considerada quase europeia por beber gin tónico como quem bebe água. Porque africano aguenta a festa até o sol aparecer. E europeu bebe muito e não faz cenas como africano.

Hoje iámos à praia pelo meio-dia! Elas não conseguiram despachar-se. Teve que ser a europeia a ir lá a casa acordá-las. :) E uma hora depois, já no carro diziam-me: branquinha boa! No tempo do colono, branca não esperava por negro nem branca conduzia negro. 
Em conversa sobre a minha experiência no Roque disseram-me que tenho sangue africano, para pouco depois, ao mergulhar na praia dizerem que afinal tenho sangue europeu. Elas achavam que a água estava muito fria!
Aqui sou de tudo. Até fotogénica.  
Dados da foto:
Autor: Marcelina (mas já adaptada por mim)
Data: 17-Julho-2010
Praia da Ilha de Luanda, Angola

They say it has no memory #03

(Maianga, Luanda)
“Anyone who says sunshine brings happiness has never danced in the rain”
Já não me lembro de jogar futebol à chuva.

As noites em Angola #2.20

Dia de feira!
Acordei bem disposta! Tirando o dia da enxaqueca, aqui tenho acordado sempre bem disposta. :) Mas, eu também sou pessoa que adora manhãs. Desci as escadas a correr para tomar o pequeno-almoço. Chamo à atenção da Dona Antónia que me diz: Sorriso lindo, onde vais com tanta pressa? Vou ao Roque. Ao que ouço com alguma preocupação: Tu és angolana ou tens sangue angolano! Gargalhada. E na minha mente passou a lembrança de que tenho sangue xavelha!

Avisaram-me para não levar nada que convidasse ao assalto. E assim foi. Calções de ganga, havaianas, uma t-shirt. Telemóvel no bolso esquerdo da frente. Distribuição do dinheiro pelos vários bolsos. Memorizar quanto é que cada bolso tem... e bora lá ao Roque. Eu e o Domingos.  
Se me pedissem para descrever a feira em 5 palavras e 5 apenas, usaria Confusão, Barato, Simpatia, Infernal, Indispensável. Um verdadeiro mundo numa área de um quilómetro de comprimento por 500 metros de largura e que abriga 5 mil vendedores.
Confusão. Andei quase sempre lado a lado com o Domingos. Gente... Muita gente, ou como dizem cá: pessoas, muitas pessoas! Pessoas de todos os géneros e feitios. Eu destoava na cor, não no género e feitio. Houve uma altura em que parecia que queriam me assaltar. Tocaram-me nos bolsos de trás, mas como não sentiram volume, ignoraram-me. Eu meti quase de imediato as mãos nos bolsos de trás e fiz de conta que nada estava a acontecer. Depois de ter feito algumas compras peguei no saco de plástico com os tecidos e fiz mesmo à xavelha, amarrei-o à cintura e continuei a minha exploração. O cheiro da muamba de galinha que saia das panelas ao lume, o cheiro da carne enfiada em pequenos espetos de ferro a assar contrastava com a visão dos montes de sapatos, das bolsas penduradas, da roupa no chão, da organização dos tecidos, da venda de cabelo natural e do salão de beleza ao ar livre, das camas e dos colchões, do colorido dos tupperwares, dos DVDs, CDs, televisões, aparelhagens, telemóveis, cartões SIM, cartões de recarga, os livros escolares, os boletins de jornais clandestinos, o ouro, a prata, a bugiganga. E mais uma vez comida e bebidas, latas e latas de Nido. Só estando lá para ver que no meio da confusão acaba por haver uma ordem natural nas coisas.  
Barato. Luanda é cara. Luanda para estrangeiro é cara. Luanda para quem não quer conhecer a verdadeira Luanda é cara. Na feira comprei tecidos lindos, baratíssimos. Comprei CDs de música angolana a 100kwanzas. Whisky, tabaco, televisões, sofás... tudo a preços acessíveis. Muito acessíveis mesmo.  Há lá de tudo... bem, quase tudo. Fui enganada, pois não vi tanques de guerra nem aviões. Mas, de resto, vi lá de tudo.  [Quando voltar a Lisboa e fôr ao El Corte Inglés vou me queixar! :D ]
Simpatia. Os rapazes tratam-me por madrinha. Já tenho uma data de afilhados cá. As senhoras tratam-me por filha. Na parte das especiarias trataram-me por linda. Na parte dos penteados disseram-me que tinha cabelo de preta e que sou uma branca bonita e mais...que devo ter sangue de africano, porque há algo no meu olhar e no meu sorriso que é desta terra. Eu não sei se sou desta terra, se o meu cabelo é africano, mas que este é um povo simpático, humilde e lutador, lá isso é!
Infernal. Polícias, não vi? Homens armados também não. Não assisti a assaltos, mas vi várias tentativas. Vi correrias com objectos nas mãos. Mas, para mim, as palavras continuam a doer mais que certas acções. Dizem que os da minha raça são racistas. A percepção que tenho é que os de outra raça são-no mais. Passou um grupo por mim que gritava palavras de racismo. E não era só para mim. Era também para os mulatos que estavam ali às compras. Como se a côr fosse critério para alguma coisa. Pensei na Rosa Parks e decidi que estava ali por uma razão e que iria continuar as minhas compras no meio daquele calor humano... E continuam a dizer que está frio.
Indispensável. A verdadeira alma angolana está ali tatuada num chão que é húmido dada a mistura da terra com barro, com água, com gasosa, com lixo. Os postos de venda há no chão, improvisados, com tábuas a improvisar um balcão, com folha de bananeira a fazer de tapete, com caixas de cerveja a servir de banco. Há vendedores a dormir. Estão lá desde as 5 da manhã. Um dos lados começa a fechar pelas 11 da manhã, o dos senagalenses. Dizem que são os que arranjam 'maior problema'. Para ganhar espaço queimam o lixo, ali mesmo ao pé dos candogueiros, ao pé das barracas, ao pé dos carros por lá estacionados. Ali não há só mercado ou a  lei da oferta-procura, há pessoas...eu adoro pessoas, eu sou o que sou por adorar pessoas. Adoro olhar para uma cara triste e sorrir e obter um sorriso de volta. Adoro ver uma cara sorridente. Adoro ver rugas. Adoro encontrar padrões em todos nós. E ali, no mercado do Roque Santeiro vi luta por um mundo melhor, vi sofrimento, vi pobreza, vi amor, vi simpatia, vi sorrisos, recebi beijos, vi força de viver, vi animação, vi tristeza, vi cor e dor!


Curiosidade: A Feira realiza-se de terça a domingo. À segunda-feira fazem limpezas. Chama-se Feira do Roque Santeiro porque na altura da novela brasileira, a feira parava para ver a mesma. Gostaria de ter assistido a um episódio da novela ali.  
Nota de redacção: perco mais tempo à procura de  links para a contextualização do texto do que a escrever o que me vai no coração. A net aqui é tão lenta. :( 

"They´re just moments. They´re not life…" #05

Theodore Faron: I can't really remember when I last had any hope, and I certainly can't remember when anyone else did either. Because really, since women stopped being able to have babies, what's left to hope for? 
from the movie: Children of men

Autor da Foto: Sebastião Salgado

Musicoterapia Angolana: Encosta, Aproveita...

Dançar este tipo de música é um desafio! 
Dançar com um angolano jeitoso é desafiar a mim própria! ;)
Agora vou dormir rápido para acordar daqui a umas horitas e ir ao Roque. 


Música: Mika Mendes - Encosta

As noites em Angola #2.19

Apercebemo-nos de que fomos possuídos por esta cidade:
Quando sentimos a falta do mamão ao pequeno-almoço.
Quando tiramos o telemóvel da mochila e conversamos na rua.
Quando andamos com o telemóvel na mão.
Quando vamos à MultiCaixa, fazemos o levantamento e ignoramos o que nos rodeia.
Quando entramos no sítio do costume e já nem precisamos de pedir pela bica. 
Quando já sabemos que um folhado de carne é denominado por MilanessaFolha. 
Quando sabemos responder à questão: Qual é a gasosa?
Quando já sabemos qual das senhoras da rua tem a melhor banana assada. 
Quando voltamos para casa de saco de plástico na mão e a pinicar a banana assada que está lá dentro. 
Quando usamos qualquer ponto da estrada como passadeira. 
Quando já sabemos distinguir o sabor da Cuca da N'gola.
Quando já gostamos de ginguba com casca!
Quando planeamos ir à Feira do Roque Santeiro para comprar mais uns recuerdos baratos.
Quando percorremos Maianga a pé em busca do melhor prato de sopa. (Leva de tudo! Adoro. Lembra-me a sopa de trigo ou sopa de massa! )
Quando nos perguntam: quando regressas? e apercebemo-nos que é já para a semana.
Dados da foto:
Autor: eu
Data: 10-Julho-2010
Imbudeiro na Estrada Luanda - Benguela, Angola



A perfect sister ?

"A perfect sister I am not, but thankful for the one I've got"
A minha irmã faz hoje 33 anos. 

E se ela acha que a minha afilhada vai ter um segundo nome só porque nasceu na véspera do seu aniversário está muito enganada. Eu estava para nascer no mesmo dia que o Eusébio e como sou do contra, nasci no dia seguinte e o meu pai acabou por mudar de ideias. :) 
Isto tudo para agradecer a minha irmã por me dizer: Tu és maluca! / Tu assenta mas é arraiais! / Não te cansas?
Mas, depois quando ela precisa de alguém ela sabe que pode contar comigo! E quando eu preciso de alguém, sei que posso contar com ela. 
Obrigada!

Smile of the Day #06


As noites em Angola #2.18

Olha-me a pula num bar de pretos! 
O dia começou logo mal!  Acordei com dores de cabeça! Tomei 2 panasorbes que deu para aliviar a dor até às 12h. À hora de almoço não aguentei e vim à pensão descansar um pouco. Ao vir decidi entrar num café que nunca tinha entrado até hoje para comprar água! Era a única branca, o normal, ... mas, houve uns meninos que com cuca na mão decidiram implicar comigo. Ignorei-os. Se com os da minha raça o desprezo funciona porque não há-de funcionar com os de outra? Se é que existe uma coisa chamada raça! Para mim, somos todos iguais!!
Descansei ainda umas duas horas na pensão. Tomei um Migraleve e fiquei toda satisfeita por verificar que a minha check-list de coisas que meto na mala funcionou. Tento ter escuridão no quarto e meti os phones nos ouvidos na tentativa de obter algum silêncio ao som de Sigur Rós. 
Porque silêncio, silêncio puro em Luanda é uma coisa que não existe.  
Uma hora depois estava a vomitar. O que é bom. A enxaqueca estava a passar. Mais tarde regresso ao cliente, ao trabalho... à labuta! Ainda bem que hoje não tive nenhuma reunião. 
Ao final do dia... o MSN pisca quase que ao mesmo tempo que recebo uma sms no telemóvel de Portugal.  Fico feliz da vida. 
A minha sobrinha nasceu. A minha afilhada nasceu. 
A minha 2ª afilhada.  A L. é a primeira.;)
O meu regresso a Portugal é no dia 23 e a viagem à Madeira é dia 29 de Julho à noite! Se antes achava que iria ver um bebé recém-nascido , hoje sei que vou ver a J. já com 15 dias! 
Uma mulher!  :) 
E como me disseram: Sim, Patxi. Uma mulher. Até já vai à poncha contigo.  :)
Dados da foto:
Autor: eu
Data: 03-Julho-2010
Local: Ilha de Luanda, Angola



I'm miles from where you are #02

Em Maio usei esta música no blog depois de falar com a minha cunhada. A gravidez não estava a ser fácil. A primeira não chegou ao fim do 4º mês e esta acabou por não chegar ao 9º mês.
Mas, a J. já cá está no mundo. Numa incubadora no Hospital Dr. Nélio Mendonça, na Madeira. E eu estou feliz.
A minha irmã tem 2 rapazes... mas, uma sobrinha... uma sobrinha é outra coisa!
É que depois de mim e da minha irmã foram 5 irmãos homens e mais 2 sobrinhos homens! É muita testosterona. Muito futebol... sim, são todos benfiquistas. E apesar da sms do meu irmão dizer: "nasceu mais uma benfiquista",  eu tenho esperança que a minha afilhada tenha bom gosto como aqui a madrinha e como a mãe dela.
Estou feliz! 
Música: Snow Patrol - Set The Fire To The Third Bar

Soltas #06

(Maianga, Luanda)
"E dizia-lhe: escuta as minhas palavras com atenção, camarada. Vou explicar-te qual é a terceira perna da mesa humana. Eu vou explicar-te. E depois deixa-me em paz. A vida é procura e oferta, ou oferta e procura, tudo se limita a isso, mas assim não se pode viver. É necessária uma terceira perna para que a mesa não caia nas lixeiras da História, que por sua vez está permanentemente a desmoronar-se nas lixeiras do vazio. Por isso toma nota. A equação é esta: oferta + procura + magia. E o que é a magia? Magia é épica e também sexo, e bruma dionisíaca e jogo."
2666 de Roberto Bolaño

iAndYou #06

One good thing about music, when it hits you, you feel no pain.  
Bob Marley

As noites em Angola #2.17

(Este é um post completamente recheado de futilidades)
O cabelo!
Todo e qualquer shampôo caro ou com o título liso asiático combinado com a água e o vento de cá não funciona na minha cabeça. O cabelo demora eternidades a pentear...de tal maneira que até estou a pensar fazer um penteado típico de cá. A sério! Para dormir tenho que fazer uma trança! Porque se em Lisboa acordo com o dobro do volume do cabelo e na Madeira acordava com o triplo do volume do cabelo…aqui acordo com o quádruplo. A franja que estava a tentar ter… foi-se!! Se antes dava para usar bandeletes e coisas engraçadinhas. Agora, prendo o cabelo e a franja leva com uma ‘tranca’ / presilha...e toca a mostrar a enorme testa que herdei do meu pai. 
O tempo!
Dizem que faz frio… para mim está ideal. Eu sou mesmo mulher de Outono e Primavera. Continuo a levar o casaco do fato para o trabalho mas, não o coloco. Ando a passear os casacos dos fatos e acho que nunca estive num cliente onde usei tanto blusas sem mangas. É um clima húmido
Os homens!
Raios partam os genes africanos…Deus é mulher cá! Cada um! Juro! Raio de homens. Também há mulheres lindas... mas, c'um catano para os homens. É o six-pack., é o sorriso, são os lábios, é o olhar... e madre mia, as pernas!!! E não é ficar menos exigente. como disse um amigo. É saber apreciar a beleza humana! Cada abdominal... upa upa! :)
Banana!
Aqui comem imenso banana. Lembra-me  tanto a Madeira. Aqui meto a banana no meio do paposeco e não me olham de lado. Aqui faço uma sandes com queijo e depois meto a banana e acham normal. E a banana assada é tão boa! Ainda hoje comi uma ao vir do trabalho.
Gelados!
Não encontro gelados em lado nenhum! Vendem-se na rua gelados de gelo e em alguns supermercados encontro os fás. Mas, eu queria e hoje foi um desses dias, queria um perna de pau, ou um rol.
O período!
Avisaram-me que cá o fluxo menstrual é mais denso e prolongado! Eu ri-me e disse: não gozem comigo, o fluxo é igual em todo o lado. Pois!!! Acabei por rir de mim própria. Verdade, verdadinha. 7 dias e  tipo ribeira na altura das chuvas! Terrível! Já não sabia o que era isso. 
As unhas!
Aqui há de tudo na rua, no trânsito! Vende-se de tudo! Mas, é que é mesmo de tudo! Hoje vi um 'balcão' onde se arranjam as unhas! Se ao sair da Pastelaria Nilo há imensos engraxadores de sapatos ao ir para o supermercado Cardoso há umas cadeirinhas onde podemos nos sentar e arranjar as unhas e escolher uma das cores Risqué.



Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 10-Julho-2010
Local: Morro das Cruzes, Luanda, Angola



Porque os sábados são como os Natais! #02

Google before you tweet is the new think before you speak. 
And I love to discover things by knowing people... Why do we have to question everything? 
The question I make more is: Are you happy?
The others doubts I have, I will clarify with time.

As noites em Angola #2.16

A noite passada sonhei com a Madeira. Sonhei com a minha ilha.
Sonhei com os cheiros. Como é que é possível sentirmos os cheiros nos sonhos?
Sonhei com a comida. Culpa da Tia Rosa que vai fazer uma almoçarada para a famelga toda, em casa da avó no Estreito, este fim-de-semana.
Sonhei com o meu pai. Dizem que o Benfica anda a jogar quase todos os dias.  
Sonhei com os meus sobrinhos... Os pestes são benfiquistas ferrenhos. :S
Sonhei com a minha sobrinha que ainda não nasceu e imaginei-a com uma camisola do FCP. :)
Sonhei com a minha mãe e com os meus irmãos e irmã.
Sonhei com gelados, cerveja e tremoços com muito alho.
Sonhei que mergulhava na praia do Caniçal e o sol estava a nascer. Esta parte do sonho não percebi visto que odeio aquela praia.
Sonhei que estava no Farol da Ponta do Pargo ao pôr-do-sol. O meu local predilecto na Madeira. 
Saudades? Sim. 
Tenho saudades mesmo sem ter memória de coisas que não fiz!

Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 10-Julho-2010
Local: Miradouro da Lua, Luanda, Angola



Too easy to explain What you'll never talk about

Hoje recebi uma boa notícia.
A Jessica passou de ano!  As explicações funcionaram. :)
Sou capaz de estar tão feliz quanto ela.  
A segurança com que ela agarra uma bola na ginástica contradiz a insegurança que ela tem da sua inteligência. E ela é inteligentíssima. Tem sido é mal explorada.  :)
Parabéns! O mérito é todo teu. Aproveita as férias na ilha.
Depois tomamos café quando aí fôr no final do mês.


Música: Paradise Lost - Shine (ver vídeo)

As noites em Angola #2.15

Ontem foi a primeira noite em que a saudade chegou!
Ontem fui tomar café com o meu amigo kota. É tão simpático o senhor. Deixei-o pagar o café. 150kwanzas que lhe devem custar imenso a ganhar... Mas, o combinado é o combinado! Ficou admirado por ver uma branca que não fuma. Disse-me que até ao momento todos os fumadores que conhece são brancos. 
Ontem foi o dia em que queria comer um gelado e não havia... Acabei por meter uma moeda na máquina de bebidas que se encontra no pateo da pensão e bebi uma N'gola. É quase o mesmo. :)
Ontem foi o dia da final do Campeonato do Mundo e eu queria estar no sofá da Madeira a ver a bola com o meu pai e beber uma cerveja preta sem álcool acompanhada de línguas de gato. 
Ontem quis descansar mas trabalhei para as reuniões de hoje. 

Hoje foi o primeiro dia da 3ª semana, consecutiva, de trabalho cá.
O primeiro dia do ínicio do fecho dos trabalhos. Dia cansativo! Todos os sentidos têm que estar apurados. A audição não pode me trair.
Hoje foi a primeira vez que me perguntaram se já não estava cansada de cá estar. Não estou. Gosto de cá estar. Adoro o projecto. Amo do fundo do coração esta terra que sinto cada vez minha. Sinto que pertenço cá e que Luanda de algum modo me pertence. 
Da Madeira tenho saudades das pessoas. 
De Lisboa tenho saudades das pessoas. 
Em todos os caminhos que escolho, queria tê-las sempre comigo. Na bagagem. Pode ser?
Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 10-Julho-2010
Local: Estrada Luanda - Benguela, Angola



Musicoterapia: Pleased to meet you





Música: Rolling Stones - Sympathy for the Devil

iAndYou #05

"porque também gosto de ti."

you are coming home with me?

(Maianga, Luanda)  
Se hoje fiquei com a neura e só me apetecia comer gelado e ver séries da BBC. 



Ainda fiquei pior depois de ver o Casillas a ter este gesto. É de ficar sem palavras.

As noites em Angola #2.14


Duas noitadas! Um sorriso de orelha a orelha. Povo bem disposto, este! 
As amigas que fiz cá são do melhor!  Engraçadas, simpáticas e temos algumas coisas em comum, não somos púdicas mas também não admitimos poucas vergonhas e ver uma quadrilha em acção é denegrir a mulher. Seja ela de que raça for.  
Vi finalmente uma quadrilha. Já tinha ouvido falar. Mas nunca em acção. A Quadrilha é um grupo de mulheres que chegam às festas vestidas de maneira super provocante com o objectivo de sairem dali com 'omem! Custe o que custar! A sério! Vi coisas que não me surpreenderam mas que fazem de mim mulher, ter vergonha pelas acções dessas mulheres em público. Há maneiras mais fáceis de ter sexo ou conquistar um damo. Enfim, vamos ao que interessa.

Estas três mulheres são um must... ao irmos e regressarmos da noite na ilha, só diziam coisas que me faziam rir.
- Este é o edifício do Atlântico, foi muito caro e publicitado, tem vidros, escritórios, nanana,..., está às moscas.
- Este é o forte que nos protegia dos pretos quando eramos louros de olhos azuis.
- Tu não queiras andar de autocarro em Luanda, o candongueiro é um paraíso comparado com o autocarro.
- A nossa empregada parece uma botija de gás... com aqueles lábios grossos pintados de laranja e lápis preto a fazer o contorno. 
- Camarada, quando tomarmos o forte, a quadrilha é banida!
- Aquele gajo é pessoa !  (Ao ver um gajo bom)
- Angolano é assassino.  (Ao ouvir Tribalistas com batida Kizomba)
- Que é que é esta banheira de hidromassagem? (Ao ver o prato de feijão quando chega à mesa)
E a melhor de todas:
Ela: Tu levas o carro. Bebes, bebes e continuas sóbria!
Eu:  Hoje não trouxe a carta!
Ela: Não faz mal, empresto-te a minha. Se o polícia mandar parar dizes que tens um problema de despigmentação.

Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 03-Julho-2010
Local: Luanda, Angola





iAndYou #04

Porque se pedissemos mais estariamos a iludir-nos!
Porque se dessemos menos estariamos a ser injustos!

They say it has no memory #02

(Maianga, Luanda)

If you say you have you're a slut. It's a trap. You want to, but you can't, and when you do, you wish you didn't, right? 
Já não sei o que é ter o pequeno-almoço na cama.

As noites em Angola #2.13

E ao 13º dia, o meu número preferido, andei fora de Luanda. Visto que não conheço Luanda Sul, o meu Domingos, o motorista, foi comigo!  Digo o meu Domingos, porque como Robinson Crusóe precisava do Sexta-Feira, eu tenho o Domingos que é um amor de pessoa! ... Um dia falarei sobre ele! ... Hoje é dia de dizer que a minha saída à noite de ontem é capaz de dar um filme e que o dia de hoje quase que tem direito a uma mini-série de tanta a informação que acumulei.
Tanto momento que gostaria de partilhar convosco. Tanta beleza. Tanta riqueza, pobreza. Cheiro a mar. O cheiro a peixe seco que me transportou para as salinas de Câmara de Lobos. Tanta pureza de coração. Um morro que é em tudo semelhante ao antigo ilhéu da minha terra. Tanta mistura de sentimentos. A humidade, o calor, o suor,... o sangue que este povo derramou e derrama para construir casas no meio do nada depois de tantos anos em guerra. Muitas das zonas que vi hoje habitadas não o eram há 5 anos atrás. Eram zonas de guerra, disse-me o Domingos. Luanda cresceu. Luanda cresce.
Para sair de Luanda centro foi uma confusão enorme. A primeira paragem foi a Feira de Artesanato de Benfica. Peças lindas. Quadros fantásticos. Tratavam-me por amiga, mas eu fui tudo menos isso. Fiz bons negócios. Consegui baixar bastante os preços e já tenho lembranças, com selo do Ministério da Cultura, para a família. 
Fui à Barra do rio Kwanza. Estive dentro do Paque de Kisama. Não fiz safari! Na estrada, parei várias vezes para tirar fotos e numa delas chamaram-me nomes porque tirar fotos é tirar a alma ao objecto e às pessoas. Agradeci, respeitei e continuei a minha viagem.  
Fui ao Miradouro da Lua onde só ouvia o som do mar e das aves que por ali voavam. Os meus olhos não acreditavam no cenário cinematográfico que estava ali perdido entre a estrada Luanda-Benguela. A estrada está cheia de árvores que têm o nome de Imbondeiro, e que dão uma fruta chamada Múcua. Passamos pelo Morro dos Veados onde vi um Brown em vez de um Green. 
Estive no Museu da Escravatura, onde vieram-me as lágrimas aos olhos. Eu não queria lá entrar. O Domingos é que disse: "Susana, vai. No Museu só vai angolano. Tu tem coragem para ser a única branca lá." E eu fui! 
O ser humano é capaz de tanto amor e tanta crueldade.
Pedi ao Domingos para me mostrar a verdadeira Luanda. Por isso, também passamos pelo Bairro Rocha Pinto onde comi uma banana assada com ginguba, pelo Bairro de Corimba, pelo Bairro Azul, pelo Bairro do Ramiro, e outros tantos. Não necessariamente por esta ordem. :) 
As zonas ricas: Belas, Talatona, Kaxixe, Viana são só condomínios fechados e casas com seguranças à porta. Bairros onde talvez tiraram demasiadas fotos.   
Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 10-Julho-2010
Local: Morro da Cruz, Luanda, Angola







"They´re just moments. They´re not life…" #04


Lily Owens: If your favorite color is blue, why did you paint the house pink? 
August Boatwright:  That was May's doing. When we went to the paint shop, she latched on to a color called, "Caribbean Pink." She said it made her feel like dancing a Spanish Flamenco. I personally thought it was the tackiest color I had ever seen, but I figured if it could lift May's heart, it was good enough to live in. 
Lily Owens: That was awfully nice of you. 
August Boatwright: Well, I don't know. Some things in life, like the color of a house, don't really matter. But lifting someone's heart? Now, that matters 
 from the movie: The secret life of bees

Autor da Fotografia: André Cordeiro. 
Mais aqui.

As noites em Angola #2.12

Sexta-feira em Luanda é um caos no trânsito! 
Se os outros dias já por si são caóticos... à sexta é mesmo, mesmo do piorio.
A partir das 17h é só ver as pessoas a preparar tudo para sair. 
A partir das 17h30m é ouvir as pessoas a receber telefonemas a combinar jantaradas. 
A partir das 18h é assistir a romaria do picar o ponto. 
A partir das 19h é atravessar a Rua kwamme N'Krumah e chegar a casa/pensão, beber uma Cuca, mudar de roupa, colocar um vestidinho e dizer em frente ao espelho:
ché, que póster... a tuga vai com os cambas tentar ter uma noite esculú. 
Hoje a noite é sem para-quedas. ;)
Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 04-Julho-2010
Local: Luanda, Angola

Smile of the Day #05


As noites em Angola #2.11

Se na primeira vez que cá estive só conseguia trabalhar no escritório do cliente. Desta vez, e ao 9º dia de trabalho quis vir para casa/pensão trabalhar. O ar condicionado - ac - está sempre ligado e hoje o ac dava mesmo em cima da minha cabeça. Como consequência, além das dores de cabeça inevitáveis, o meu nariz, coitadinho, apesar de todo o nasomed que leva logo pela manhã estava sempre a torcer-se e a desejar estar noutra sala. O maior problema de trabalhar só com homens além de eles falarem de gajas, carros e futebol é mesmo o ar condicionado. Eles têm sempre calor e nós, mulheres, ou melhor, eu, a única mulher da sala tenho não frio… mas, aversão ao ar condicionado.
Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 03-Julho-2010
Local: Luanda, Angola



Soltas #05

(Maianga, Luanda)
"Descobrem-se números primos cada vez mais isolados, perdidos naquele espaço silencioso e cadenciado feito apenas de cifras e nota-se o pressentimento angustiante de que os pares escontrados até aí forma um facto acidental, cujo verdadeiro destino é ficarem sozinhos. Depois quando se está prestes a desistir, quando já não se tem vontade de contar mais, eis que se descobrem, abraçados mais dois gémeos. Entre os matemáticos é convicção comum que por mais que se avance na contagem, existirão sempre mais dois, ainda que ninguém saiba dizer onde, até serem descobertos."
A Solidão dos Números Primos de Paolo Giordano

Mundial 2010 #04

Portugal não chegou à final!
Foto daqui. 
Mas os meus amigos Sneijder e Casillas estão lá.  

As noites em Angola #2.10


A woman is a person who reaches for a chair when she answers the telephone.  Milton Wright

Estava ao telefone, hoje no terraço do prédio do cliente, quando o sol se pôs. Murmurei palavras ao telefone no corredor do 4º andar e cheguei a sentar-me nas escadas do prédio. Arrumei a mochila do portátil ao mesmo tempo que exprimia-me por palavras ao telefone. Desci os 4 andares do edifício a ouvir outra pessoa do outro lado do telefone. Estive na sala de reuniões onde combinei ao telefone acções futuras. Hoje foi o dia de ouvir e de ser ouvida. A distância... essa mal se nota.

Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 03-Julho-2010
Local: Luanda, Angola



Porque os sábados são como os Natais! #01

Respondendo a um desafio de um amigo. Às quartas-feiras passarei a responder a uma questão colocada pelos leitores. 
Esta é a primeira resposta a uma questão colocada no domingo e que não respondi usando a frase dele:  
Não respondo a essa pergunta, hoje não é sábado! :)
Os meus sábados são às quarta-feiras! 
E sempre que uma mulher quiser. 

E a alegria, a todos tem de chegar O amor, o amor vai chegar

Música: Irmãos Verdade - Chegou a hora (ver vídeo)

As noites em Angola #2.09


Noite Agradável.
Noite com 24 graus. Está-se bem na rua. Está-se bem em casa. Num dos recantos ,com sofás e puffs, da pensão a ler está-se ainda melhor. O livro da semana é o Terrorista de Berkeley de Pepetela. Lê-se bem e rápido e tem acompanhado as  insónias na sua saga para que eu durma cada vez menos. A falta das horas de sono sinto-as durante a noite. Durante o dia não sinto a falta das horas que não dormi. O povo angolano emana uma energia positiva, a humidade de cá lembra-me muito a Madeira. O vento do deserto sabe bem. A alegria de viver, apesar de tanta pobreza, é contagiante. As churrascadas da casa do vizinho transformam-se nas churrascadas da rua inteira. Gosto. Gosto do pormenor de poder comprar um hamburguer na tasca da esquina, metê-lo num saco e pedir uma cerveja e vir com a garrafa de cerveja na mão até à pensão. Gosto do facto de celebrarem tudo e celebrarem com cerveja. Gosto do facto da senhora da Pastelaria Nilo tirar a bica como gosto. Gosto do facto de o segurança do edifício me tratar pelo sobrenome. Gosto de poder subir 4 andares a pé para depois sentar-me numa sala só de homens. Gosto de a meio da tarde poder subir mais dois andares e ir ter ao Terraço e assistir ao pôr-do-sol. Gosto de acordar cedo. Gosto de dizer a minha idade e responderem: Não... 34? Não acredito! Tem cara de menina.
Gosto daqui e do que este país está a fazer por mim!
E hoje gostei mais... porque se estava a sentir-me em casa cá e no projecto, hoje foi um dia de muitas emoções. Começou com a Zorro a falar comigo no communicator e dizer que já tinha os sapatos que tinha mandado fazer e que não tinha a quem mostrar. Porque os gajos da equipa...enfim!!! Depois foi um outro colega que falava comigo via skype e diz: Já temos saudades tuas! E mais tarde, la piéce de resistance, após um pequeno ponto de situação, dizem: Bom trabalho e volta depressa.
E se dúvidas existissem sobre a minha escolha em continuar por Lisboa, as dúvidas desfizeram-se todas hoje. Gosto da minha vida assim. Lisboa - Madeira e pelo meio, agora Angola.
Dados das fotos:
Autor: eu
Data: 03-Julho-2010
Local: Luanda, Angola

As noites em Angola #2.08

(Mainga, Luanda)
As insónias. Mais uma vez as insónias. 
Com a idade tenho vindo a dormir cada vez menos. Tenho uma dificuldade enorme em adormecer. Tudo pertuba o meu sono esteja onde estiver... à excepção da Madeira. Mas, por Lisboa, pelo Porto, por cá... ainda não encontrei o padrão para adormecer com facilidade.
Desta vez a culpa não é da almofada. A Dona Antónia, a proprietária da pensão onde estou, fez questão de ter uma almofada como gosto. 
Por isso, eu deito as culpas
- às circunstâncias e ao seu poder em me desafiarem constantemente;
- à força que às vezes me invade e que me leva a agir de acordo com as regras.
- à consciência que não me deixa descansar ponderando sempre se agi de acordo com o que me diz o coração. 
- ao coração que, cada vez mais, não sabe onde pertence. 
- à imaginação que me leva a passear à chuva quando estou num país quente.
- à vontade que tenho em partilhar a minha vivência cá convosco.
Dados da foto:
Autor: eu
Data: 03-Julho-2010
Local: Luanda, Angola



Música: Humanos - A Culpa é da Vontade (ver vídeo)

Musicoterapia: No one speaks English And everything's broken



Música: Tom Waits - Waltzing Matilda