Do fecho de 2011#04



As influências de um líder ou suposto líder são desmedidas. (Consigo dizer que ele é algo mais que líder depois de o ter visto a interromper o Secretário Regional das Finanças ao responder aos jornalistas na apresentação das medidas que asseguram a sustentabilidade).

Grande parte da maioria dos Madeirenses vive num constante estado ébrio e na ilusão que tudo o que têm é do bom e do melhor, e que por nunca antes terem navegado noutros mares acham que o que os rodeia é do mais puro e humilde esquecendo-se de mencionar que muito esforço é valorizado por pequenos laços familiares ou influências cunhadas por nove graus de separação de uma alegada amizade.  
O IRS era baixo, o IVA era muito mais baixo, ... Senhores, o IVA era quase inexistente, não havia taxas moderadoras e o Madeirense, o que do vale à montanha gasta tudo o que labuta em festas e se queixa informa-me que os ordenados na Madeira são mais baixos em comparação com os do Continente. Pois, meu caro, mas no Continente há muitos ordenados baixos, muitos ordenados miseráveis, muita gente a labutar talvez não na montanha mas no cimento e no alcatrão e no meio da poluição para poder ter o seu pé de meia sem a necessidade de o gastar tudo em minis e ponchas nos arraiais que existem todos os fins-de-semana e sem ter a necessidade de estar sempre a julgar terceiros e mostrar inveja que com uma força inversamente proporcional à sua pequenez tentam destruir a felicidade dos outros.  

Eu gostaria de poder ter um dia aqui na ilha em que não falassem dos euros dos outros, dos empregos que x tem por causa de y... Gostaria que falassem na primeira pessoa, e que o discurso começasse com algo como:  
- eu tenho vizinhos que são amigos prestáveis;
- eu adoro o mar; 
- eu adoro o sol;
- eu tenho sorte em viver numa ilha com este clima;
- eu  vivo perto do mar; 
- eu tenho o sonho de um dia ver um novo arquitecto paisagístico neste jardim; 

O viver perto do mar devia ser um pretexto para a felicidade pura e não para o julgamento erróneo e alimentação de sentimentos verdes ... 
Dados da Foto:
Autor: Eu
Data: 27 de Dezembro de 2011
Local: Ribeira Brava, Ilha da Madeira


E eu sou aquela que um dia irá regressar em definitivo à ilha... um dia!

abraços que ardem




Dagmar: It's such a comfort sometimes, just to have somebody's arms around you. Don't you think? 
Lars: No
Dagmar: It feels good. 
Lars: It does not feel good. It, it hurts. 
Dagmar: Oh, like a cut, or bruise? 
Lars: Like a burn. Like when you go outside and your feet freeze and you come back in and then they thaw out? It's like that. It's almost exactly like that. 


Do fecho de 2011#03



Desde que recebi a pior previsão da minha vida passaram-se 9 meses. 
9 meses pode parecer pouco se pensarmos que já tivemos tantos anos de vida. 
9 meses pode parecer muito se pensarmos na velocidade com que certos sonhos viram pesadelos. 
9 meses é o tempo de gestação de um futuro ser. 
Mas foram 9 meses a pensar que este poderia ter sido o pior natal da minha vida.

Mas não foi e ontem estivemos felizes por ter tido mais uma vez a sua presença.

Musicoterapia (semana 52/2011)


O dia 26 de Dezembro é a reunião da família da minha mãe na casa da mãe dela, a minha avó materna.
Naquela casa a minha avó consegue reunir os seus oito filhos, os vinte e um netos, e os sete bisnetos (e não mencionando os +1). 

Este ano talvez seja o último em que todas as folhas da grande árvore genealógica se reuna para a troca de prendas do amigo secreto. 

Dizem que a culpa é da Troika e que o pessoal não tem dinheiro para poupar um ano inteiro * para um par de meias. 





Belle & Sebastian - Family tree

*a minha família após a troca de prendas, troca os pápeis do amigo secreto para o ano. Ou seja, a 26 de Dezembro de 2010 eu já sabia a quem ia oferecer hoje. 

TP1615


"Voar é muito bom, ter onde pousar é melhor ainda!" 
                                                                       Janayna Ricoly

súbito cansaço de tudo




Mas o pior é o súbito cansaço de tudo. Parece uma fartura, parece que já se teve tudo e que não se quer mais nada. 
Clarice Lispector

Amanhã quando me apanhar na cama que aprendi a odiar e no quarto com o qual deixei de me identificar, irei aproveitar o facto de poder usar o papel de filha e dormir, dormir muito.

Ingredientes da vida



Kate: I wish there was a cookbook for life, you know? Recipes telling us exactly what to do. I know, I know, you're gonna say "How else will you learn, Kate." 
Therapist: hmm. No, actually I wasn't going to say that. You want to guess again? 
Kate: No, no, go ahead. 
Therapist: Well what I was going to say was, you know better than anyone, it's the recipes that you create yourself that are the best
  
Do filme No Reservations



Do fecho de 2011#02



Perdi o controlo em mim mesma na tentativa de achar que podia ser feliz com alguém. Fiz coisas e agi como se tivesse sido possuída. Fui enganada, traída e saí magoada.  Men...


Também o magoei. Segundo ele, magoei-o quando quis suportar a minha doença sozinha escondendo-lhe a dor que sentia. 
Dor que me atacava imprevisivelmente, dor que agora consigo evitar que apareça, mas dor que ainda sinto.
Ter Chron é ter uma doença omnipresente que ataca silenciosamente quando entra algo em nós que gostamos mas que nos faz mal, muito mal. 
Tal como tu me fizeste. 






Sou por norma organizada, cheia de planos para o dia-a-dia e a longo prazo. 
Gosto de ter a mente ordenada, a minha natureza de planeamento é baseada na simplicidade das listas e não costumo ter surpresas de última hora ao aceder à minha agenda.
Hoje infelizmente já tive duas surpresas. 
Duas desagradáveis surpresas que colocam em risco a minha estadia na ilha nos próximos 10 dias. 

Do fecho de 2011#01

2011 foi muito bom em termos de concertos musicais. 
Alguns concertos em Lisboa -  realização pessoal no concerto da Joanna Newsom, algumas surpresas nos concertos dos The National, adoração e emoção no concerto do Sufjan Stevens (o meu futuro marido), grande sorriso após o concerto dos The Antlers, alguma confusão após Joss Stone.
Alguma rouquidão no dia seguinte a Arcade Fire no SBSR, dia que por acaso coincide com a madrugada em que tive uma decepção enorme e apercebi-me que há crianças em corpo de adulto e que tentam brincar às casinhas. 
Um concerto em Londres onde tive a sensação de pequenez após assistir a Manchester Orchestra. 

Mas acima de tudo a satisfação em assistir a concertos de bandas portuguesas como Noiserv. 


Noiserv - The sad story of a little town

Posso ter afirmado com todas as minhas forças que foste um elemento neutro na minha vida e que ao mesmo tempo continuas a ser o homem que amei no passado.
Mostraste felicidade quando te contei que tinha uma espécie de namorado. Ficaste furioso quando te contei o que aconteceu. 
Aos poucos a tua neutralidade ganha protagonismo e voltas a transformar-te numa das constantes da minha vida. 
Obrigada pelo apoio e até daqui a uma hora, onde estaremos com os  suspeitos do costume. 

Sabes que este Obrigada custou-me imenso a dizer, não sabes? 

Natal não é só presentes



Pessoas acotovelam-se cheias de sacos, vejo lojas cheias, ouço o som das transacções da SIBS a serem efectuadas. 
Natal para muitos significa oferecer prendas e muita gente quer oferecer prendas a todos os outros e mais alguém e por isso escolhem a prenda fácil.  Entram na porta do esquecimento que é a cara de quem recebe meias. O lema "aquilo que não gostarias de receber não compres para oferecer" não entra nesta quadra e vê-se embrulhos de tudo. 

Aqueles que dizem que não vão receber nada de alguém dizem que são o seu próprio Pai Natal e o efeito surpresa desvanece-se.
Ao longo do ano quem compra a minha roupa, os meus sapatos, os meus livros, as viagens das férias, a minha comida sou eu... são pequenos presentes que faço diariamente a mim própria. Não preciso de chegar ao Natal para comprar algo que quero e inventar uma prenda só para mim. 
Para mim, Natal é cada vez que compro algo para mim, desde as compras de supermercado às botas de cano alto carérrimas passando pela exuberante quantidade de chás que compro de vez em quando. 

Dezembro é, para mim, o mês do convívio com a família e da troca de prendas do 'familiar secreto' que tenho em casa da minha avó materna. 

Natal é, para mim, todos os dias.

Silence is Golden #49


Under your spell

Podia ter usado mais adjectivos para descrever o filme "Drive" ou tentar escrever um daqueles posts armada em cinéfila perita neste tipo de filmes. Mas eu fui enfeitiçada, enfeitiçada pela banda sonora, pelos actores, pela história, pela velocidade dos carros, pela lentidão dos movimentos das personagens, pelos diálogos, pela ausência deles, e depois de o ter visto no passado sábado à noite, hoje fui vê-lo uma segunda vez.  


Musicoterapia (semana 51/2011)



Não meto pinheiro dentro de casa, não tenho ornamentos de azevinho, não faço presépio e muito menos ando à procura de uma estrela que me guie a alguém que nasceu de uma virgem (e que segundo reza a história permaneceu virgem a vida toda... coitado do José), mas respeito quem o faça! A única coisa que ligo no Natal é, e chamem-me de fútil se quiserem, é o convívio e a troca simbólica de pequenas prendas - a oferta!


Sabiam que só nos últimos dois anos é que comecei a dar valor ao Natal com frio e a ver que a Lua no Inverno é mais romântica que no Verão? (Angola teve esse efeito nesta madeirense que detesta neve.) 



Mindy Gledhill - Winter Moon

Irmãos e Irmãs


Jantar feito com o mano mais novo, Café what else, Chá british trazido por mim de Londres, Broas de Mel feitas por outro irmão, telefonema para a Madeira, bilhardice e muita partilha. 
Às vezes em Lisboa sinto-me como se estivesse na ilha. 

Filme: Drive (2011)


Um filme quase perfeito afinal tem nome. "Drive".
Com uma banda sonora fantástica, actores fantásticos e com uma credibilidade impressionante, Drive é para mim dos melhores filmes que já vi. E não é porque está lá o Ryan Gosling, é porque neste filme e no género deste filme vejo a emoção de gostar de alguém, o querer convidar para um chá e não ter coragem, os sorrisos disfarçados ao sentir a emoção em ver alguém, o lutar pela felicidade, os entraves, os obstáculos, as mentiras, os maus julgamentos e as decisões que colocam em risco a nossa felicidade mas que evitam problemas de maior no futuro.
Excelente filme e música divinal.

Sou feliz por viajar, feliz por trabalhar, feliz por fazer o que gosto. 
Rio se acho engraçada a piada seca, a anedota parva ou se simplesmente me apetece. 
Fico chateada por ter que ouvir sempre a falarem das/os namoradas/os. 

Sofro do pecado da inveja quando estou dentro de um avião acabado de aterrar e os telemóveis começam a receber sinais sonoros de tentativas de contactos e é iniciado o processo de eliminar a palavra "saudade" do discurso, e de ver os outros a ter urgência em apanhar a mala e chegar a casa.

Emociono-me ao ver a plataforma das Chegadas dos Aeroportos nesta altura do ano, emociono-me ao ver tanto beijo, abraço e ansiedade em rever alguém.
Sinto uma ponta de infelicidade e mesmo assim considero-me feliz. 
Caminho a passos largos em direcção aos táxis e deixo as emoções para trás e questiono-me: 
Será que re-inventaram a linguagem do amor e eu não a aprendi? 

Craig Armstrong - Glasgow Love Theme

Começo a ter sentimentos contraditórios




Ryan Bingham: All the things you probably hate about travelling - the recycled air, the artificial lighting, the digital juice dispensers, the cheap sushi - are warm reminders that I'm home.


Do filme Up In the Air



Filme: The Station Agent (2003)


Pouca comédia, pouco drama, zero terror, excelente filme sobre as relações humanas que são superiores à aparência ou à posição social. A amizade pode ser tão mais pura se não houver questões sobre o passado.

Joe Oramas: It's the librarian fantasy, man. Glasses off, hair down, books flying. Finbar McBride: She doesn't wear glasses. Olivia Harris: Well, buy her some, it's worth it.







“I put all my genius into my life; I put only my talent into my works.”
                                                                                 Oscar Wilde



A música vive em mim

18h20 em Luanda, sexta-feira. 


Estou há quase três dias sem ouvir 30 minutos seguidos de música.
Sinto uma necessidade enorme em ouvir palavras harmonizadas, sons de uma guitarra e a barulheira emitida por uma bateria.
A minha urgência em querer ouvir música é maior do que a de estar com pessoas.
A inspiração vem-me das pessoas - das boas e das más -, dos livros que leio, das viagens que faço.  
A tranquilidade vem com o barulho.

Enquanto uns procuram silêncio, eu procuro o som, o eco ... a melodia da banda sonora da minha vida.



Massive Attack - Live with me

Filme: One Week (2008)



When you get those rare moments of clarity, those flashes when the universe makes sense, you try desperately to hold on to them. They are the life boats for the darker times, when the vastness of it all, the incomprehensible nature of life is completely illusive. So the question becomes, or should have been all a long... What would you do if you knew you only had one day, or one week, or one month to live. What life boat would you grab on to? What secret would you tell? What band would you see? What person would you declare your love to? What wish would you fulfil? What exotic locale would you fly to for coffee? What book would you write? 

Silence is Golden #48




Ver o mar, estar com pessoas que amo, almoçar com o suspeito do costume, apanhar sol e acima de tudo estar feliz. 
Não sabia que a felicidade é um sinal exterior de riqueza. 
Há três dias que ando a pagar caro por ter tido momentos bons. Murphy Law?  



I like ...

I hate...





When we have a bad plan and things happen. 

Série: Till We Meet Again



Quanto mais tento limpar o passado, mais memórias escondidas descubro.


Entre as várias VHS que ia deitar no lixo, vi uma que tinha um rótulo escrito pela minha letra de adolescente  "Till We Meet Again". Ponho a cassete no leitor velhinho e as imagens têm o símbolo da RTPMadeira. Fiquei parada no tempo e foi como se nunca me tivesse esquecido de uma das séries que mais marcou a minha adolescência. 

"Till We Meet Again" ...



Revista Faces de Eva


Recebi o convite para o lançamento da Revista Faces de Eva. Infelizmente não vou poder estar presente. Angola calling. 

Nesta edição da Revista poderão encontrar um artigo sobre as mulheres engenheiras informáticas, as mulheres e a tecnologia, e as mulheres que graças à tecnologia conseguiram aumentar as suas competências (as PGGD) e marcar presença num mundo que era dominado por homens. 

Musicoterapia (semana 50/2011)

Escondo-me por detrás da verdade com medo de perder o que tenho.
Não minto. Brinco com o que sinto e com o uso das palavras que estão longe da verdade e... da mentira.





Handsome Boy Modeling School and Róisín Murphy - The Truth

Procura-se Mr. Thornton #11


Decidi continuar a saga do Mr. Thornton, após ter me apercebido que este senhor precisava de estar na lista.


Nome: Elliot Cowan (site)
Olhos: azuis
Cabelo: louro;
Sorriso: cativante;
Idade: 35.
Experiência: Foi Mr. Darcy em Lost in Austen, Ptolemy em Alexandre, o Grande  mas foi no filme Happy Go-Lucky que vi recentemente com uma personagem que esteve menos de cinco minutos no ecrã e que mal fala que me conquistou, talvez por interpretar o dono de uma livraria.
Mais valia: O brilho no olhar e o sotaque britânico. 

Person of Interest





When you find that one person who connects you to the world, you become someone different. Someone better. When that person is taken from you, what do you become then? 
From TVShow Person of Interest



Conteúdos diferentes


Retiro roupa de Outono da mala.
Coloco roupa de Verão na mala.
Faço rolos com a roupa para não ficar engelhada.
O saco de plástico da higiene será o mesmo, só alguns frascos precisam de um pequeno reabastecimento. 
Relembro-me de uma época em que ansiava por encontrar um Mr. Darcy e/ou Mr. Thornton à minha espera na plataforma das chegadas. Hoje a calma é mais presente. A ansiedade do abraço transformou-se na satisfação do conforto dos bons momentos. 


Obrigada amigas por continuarem a serem fiéis à nossa amizade e a fazerem planos que coincidam com a minha estadia na ilha e um especial obrigada a ti por me fazeres sentir especial.

Se estas palavras fossem minhas...

Amor é mais do que dizer.
(...)
vi florir a rosa em todo o ser
fui anjo e bicho e todos e ninguém.
(...)
E quanto mais te perco mais te encontro
morrendo e renascendo e sempre pronto
para em ti me encontrar e me perder.
                                                           Manuel Alegre

10 de Dezembro

"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...]."

Clarice Lispector


10 de Dezembro de 1920: Nasce Clarice Lispector.
10 de Dezembro de 1951: Nasce a minha mãe.
14 de Dezembro de 1974: Casamento da minha mãe com o meu pai.
09 de Dezembro de 1977: Morre Clarice Lispector, na véspera do seu 57º aniversário.
10 de Dezembro de 1977: A minha mãe celebra o seu 26º aniversário com duas filhas nos braços e grávida do seu 3º filho (o primeiro rapaz de cinco). 
10 de Dezembro de 2011: A minha mãe celebra o seu 60º aniversário. O homem da vida dela atura-a há 36 anos e 361 dias. Tem 7 filhos, 4 netos e o seu plano de vida é conhecer em 2012 a neta que vem a caminho.

fuga e reencontro



Sou ilhéu

Sou um rochedo da ilha da Madeira
Tenho a minha história de fuga e escrevo aos poucos a minha história de reencontro.

Por mais que ande às voltas, por mais que viaje, por mais que tente brincar às escondidas, por mais que procure, o sentimento de pertença à ilha é uma força superior inexplicável. 

Os insensíveis podem continuar a chamá-la de buraco financeiro, eu chamo-a de casa.  
É o local que um dia irei regressar de forma permanente para as minhas cinzas espalhar. 


Cheia sem ti

Hoje perdi a lembrança de te trazer comigo porque deixei-te no frio da minha casa,  no recanto do meu quarto.
És um vício que vive em mim, dessaranjas-me momentos porque deixo de ouvir por ter urgência em partilhar e em ler o que os outros partilham.

És elogiado por mim e por muitos outros. Tens sempre mau timming e procuro em ti a atenção que não tenho de terceiros.
Mas, às vezes ... Blackberry, odeio-te.
Hoje, a minha voz ninguém ouviu e não respondi a nenhuma mensagem.
Sem ti senti o sabor da consequência de não ter com que brincar quando estou com alguém. E gostei, brincar com as pessoas é tão mais engraçado e desafiante.

Musicoterapia (semana 49/2011)

Perco-me no caminho da mente que leva aos vários pensamentos
Perco-me no pensamento em si
Encontro-me quando escrevo
Encontro-me quando partilho as palavras que descobri no caminho em que me perdi. 



The Head and the Heart - Lost in My Mind

Soltas #28 (Sobre a Crise)


"(...) Ele e a avó discutiram melhores tempos. A senhora idosa disse que na sua opinião a Europa era a culpada de tudo o que estava a passar-se. Disse que da maneira como a Europa se comportava até parecia que nós aqui éramos todos feitos de dinheiro (...)"

in Um Bom Homem é Difícil de Encontrar de Flannery O'Connor (1925-1964)

Filme: Black Butterflies (2011)

Ser observador do poder dos outros pode afectar a nossa vida. Filme que indirectamente retrata o Apartheid, as suas injustiças e a hipocrisia social em demonstrar sentimentos ou admirações. Admiração essa que até um próprio pai - ministro da censura - prefere esconder em relação ao trabalho da sua filha, poeta afrikaner muito admirada, e por muitos considerada a Sylvia Plath do continente do hemisfério Sul, que infelizmente só foi reconhecida um pouco depois do seu suicídio.
Alguns dos seus poemas foram adaptados pelo cantor Chris Chameleon. Vale a pena ver e ouvir.

Ontem ouvi e vi ao vivo


Something is about to be born 
There's a restlessness in me 
Keeps me up until the dawn 
There is no silence 
I will keep following the sirens 
There is no silence 
I will keep following the sirens 


These dreams under my pillow 
In the twilight of these white nights 


Oh Land - White Nights


Depressão é apática
Depressão é inócua
Depressão é triste
Depressão é imperceptível
Depressão é não querer viver
Depressão causa nada no ser que a sente 
Depressão é a inutilidade dos que amam o deprimido/a
Depressão é o que ouço quando uma voz fala comigo
Depressão é quando ela tenta falar comigo e se perde no diálogo. 
Depressão é não conseguir perceber o que dizemos. 
Depressão é prolongar os segundos de silêncio. 


Depressão não é ter medo do fim do mundo.
Depressão é muito mais que isso...

Isto tudo a propósito do filme que vi recentemente de nome Melancholia.


Um sorriso caiu na relva. 
Irrecuperavelmente! 
E como irão perder-se As tuas danças nocturnas. 
Na matemática ?
Sylvia Plath
Quadro: Giovanni Boldini, Spanish dancers at the 'Moulin Rouge

Há que amar as amigas de sempre como nunca


Ao telefone com duas das minhas melhores amigas:

BFF02 - O jantar foi muito bom, a BFF01 é que tem cenas deliciosas para te contar.  Espera que vou passar o telefone à BFF01
BFF01 - Oh P., tu não me irias reconhecer. Se a minha filha bebesse o que bebi e fizesse o que eu fiz na noite do jantar ela ficaria de castigo até aos 40. 


BFF = Best Friend Forever e desde sempre... desde os 6/10 anos ou até antes, não nos conseguimos lembrar. 


Irrita-me profundamente quando nos roubam uma ideia, quando nos roubam a dica que demos a alguém e as dão a terceiros, quando os narcisos protagonizam um enredo criado por nós.
Irrita, pah.

(ler este post com sotaque alfacinha) 

 
 
Muitas das minhas amigas nunca têm tempo para nada. Casadas, divorciadas, mães de filhos, mas acima de tudo mulheres que realizam multi-tarefas. 
As desculpas reinventam-se e ninguém consegue fazer pequenos sacrifícios para poder estar um par de horas com outro. 

Felizmente tenho amigas que gostam de aproveitar o tempo como eu (às vezes, claro!).
Pequenos momentos tão preciosos. 
Telefonam-me a perguntar se está tudo bem e se estou feliz. 
 
A que respondo "vai-se andado... com sapatos novos"

Sobre o 1 de Dezembro de 2011 (parte 2)


Os dias em que choro são os dias em que gostaria de ser outra pessoa, outra coisa qualquer. Somos tão complicados, os humanos. A música ajuda a animar e consegue ter comigo uma relação de total dualidade ao ajudar também a enegrecer mais o dia. 
Os dias em que choro são os dias em que sinto que estou a descer num escorrega sem fim, a cair num poço sem fundo a uma velocidade excessivamente lenta e deprimente que prolonga a dor e arde o salgado das lágrimas. 
Os dias em que choro são os dias em que não telefono a ninguém, refugio-me em casa e não quero ver pessoas, pessoas complicadas como eu!

Sobre o 1 de Dezembro de 2011 (parte1)


Às vezes quero abandonar tudo.
Sinto cansaço e os dias repetem-se, a rotina instala-se e eu perco de mim um pouco a cada momento.
Preciso de escrever e viver...
Na escrita que me preenche, nas palavras que uso para me sentir viva, nas palavras dos que lêem e que compreendem.

Reabri o estaminé


Preciso de escrever como escrevia... 
O silêncio das palavras tira-me a paz e o sossego. 



Os livros e os filmes e muitos dos meus conselhos musicais continuarão a ser publicados no BloodbuzzMadeira
Este apesar de tudo continua a ser o meu sítio do costume, a minha home. :)

Silence is Golden #47


“I searched for my own heart
and long after I had lost my way
in the days trailing past with their foliage
in the aloof sky blue with distance
I thought I'd find my heart
where I'd kept your eyes two brown butterflies
and I saw the swallows swoop
and shadows starlings”
Ingrid Jonker

Por fora e por dentro...


«Eu pareço entusiástica, exuberante, mas é só por fora. É a minha forma de me libertar das tensões que as pessoas mordem dentro de si.Interiormente tenho a imobilidade de um ídolo oriental. Mas não sou fria. Sou até um ser profundamente afectivo. Coloco o amor na sua totalidade - o Amor que compreende Eros, Ágape (ou amor sublime), Líbido e Fília (amizade).»
Natália Correia

Silence is golden #46

Filme: The Music Never Stopped (2011)

 

E se perdessemos a memória? Se todo o nosso passado desaparecesse? E pior que o passado desaparecer é não conseguir manter a memória do presente. E que acontece para nos transformar em seres ainda mais complicados? A memória só nos traz músicos, as músicas que produziram, eventos ligados à música, da consequência da música na vida do passado que parece ter desaparecido. Filme muito bom que consegue transmitir o amor que muitos de nós têm pela música e que nunca é tarde para re-criar laços que algures nos tempos perderam a força.




Silence is Golden #45

Filme: The Art of Getting by (2011)


Filme simples. 
De admirar o quanto Peter de FInding Neverland ou Charlie da Fábrica de Chocolate cresceu. Gostei, mas não é do melhor do género. 


George Zinavoy: I have no idea what I'm doing here. Dustin: I don't think anybody does, at least you admit it.

Filme: Jeux d'enfants (2003)


Sem palavras. Este filme é genial... porquê é que andamos sempre tanto à procura se o nosso melhor amigo é aquele que nos desafia constantemente e nos faz esquecer a tristeza de estar sozinhos?

Sophie was back in the game! Pure, raw, explosive pleasure! Better than drugs, better than smack! Better than a dope-coke-crack-fix-shit-shoot-sniff-ganja-marijuana-blotter-acid-ecstasy! Better than sex, head, 69, orgies, masturbation, tantrism, Kama Sutra or Thai doggy-style! Better than banana milkshakes! Better than George Lucas's trilogy, the muppets and 2001! Better than Emma Peel, Marilyn, Lara Croft and Cindy Crawford's beauty mark! Better than the B-side to Abbey Road, Jimmy Hendrix and the first man on the moon! Space Mountain, Santa Claus, Bill Gates' fortune, the Dalai Lama, Lazarus raised from the dead! Schwarzenegger's testosterone shots, Pam Anderson's lips! Woodstock, raves... Better than Sade, Rimbaud, Morrison and Castaneda! Better than freedom, better than life! 


Filme: Habemus Papam (2011)


Sabemos das nossas capacidades, conhecemos as nossas forças e temos noção do limite da nossa coragem. Duvidamos sempre se somos capazes ou não de assumir um cargo novo. Esqueçam o nome do filme, esqueçam o cargo para qual o homem foi nomeado, esqueçam que nesse homem é depositada a fé e a esperança de milhões de  pessoas.
Pensem só na caridade que é tentar ser alguém que não conseguimos ser.
Muito bom e recomendável a todos os que procuram ser.

Filme: Paper Heart (2009)


Impressionante, parece um documentário e o objectivo é ser um documentário mas acaba por ser uma história de amor. Escrito pela protagonista, tem como actores pessoas reais, os pais, o namorado do momento e amigos e mostra que temos todos perspectivas diferentes do que é mesmo o Amor...  e que temos todos medo de ser magoados. E este medo consegue ser maior ao medo de amar e ser amado.

"I don't care! Life is too short to be wondering what if! Sometimes you just gotta live and see what happens, even if you get hurt. Sometimes you can only feel something if you take a risk."

Filme: Ceremony (2010)


Maybe you shouldn't send post-cards to people to notify them about heart-breaking news.

Filme: Spirited Away (2001)


Zeniba: Now, try to remember as much as you can about your old life. Chihiro: For some reason, I can remember Haku... from a long time ago... but I thought I never met him before! Zeniba: Oh, that's a wonderful place to start! Once you meet someone, you never really forget them.



Filme: Something Borrowed (2011)


Yeah, maybe i am. But i’m the only asshole here who gives a shit about you.


Filme: Les femmes du 6ème étage (2011)

A rotina, o hábito tornam a vida sem brilho e viver cansa. Mas há aquelas pessoas que apesar do trabalho e do pouco que têm são muito mais felizes por ter cor e saberem tirar partido das contrariedades e acima de tudo terem sentido de humor sendo fiéis a si próprias.
Este filme está brilhantemente interpretado por actores espanhóis e franceses. Muito bom.


I miss...

Lorelai: Schooch down now and go to sleep.
[she moves Rory's armchair]
Rory: What are you doing?
Lorelai: Nothing, just a little feng shui, go to sleep.
Rory: Mom, you don't have to sleep in here tonight.
Lorelai: I know, I just think the chair looks nice here.
Rory: And what's the blanket for?
Lorelai: In case the chair gets cold.
Rory: And the pillow?
Lorelai: To keep the blanket company.
Rory: Uh-huh.
Lorelai: Okay, everything's in its place. Chair seems warm, blanket seems happy, just one thing missing... oh yeah.
[sits down in chair]
Lorelai: Goodnight.
Rory: Freak of sideshow proportions.
Lorelai: I love you, too.
Rory: Mom?
Lorelai: Hmm?
Rory: I'm sorry.
Lorelai: Shh, the chair is trying to sleep.

Saudade ...

sofro por amor
acho parvo pensarem só no tipo de amor carnal.


A hora mudou... em Portugal.

Cá em Angola continuamos parados no tempo.
Todos os processos à primeira vista são complicados.
Todas as regras servem para facilitar esses processos.
Complicar aquilo que já era complicado não é fácil. Se quiser transformar algo simples como um check-in pergunte a um angolano.
OU melhor, pergunte a uma data deles porque até entre eles cada um tem a sua visão do processo e cada um quer controlar a sua fila de espera.

Profundo...

"I keep thinking that what we need is a new language - a language of the heart. Some kind of language between people that is a new kind of poetry. The poetry of the dancing bee that tells us where the honey is. In order to create that language, you're going to have to learn how you can go through a looking glass into another kind of perception where you have the sense that you are united to all things."
 Andre Gregory

A Verdade ...

"Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"
Clarice Lispector

Hoje senti-me bem... muito bem!


Qual é a minha altura? Querida, com o cabelo, os saltos e a minha personalidade, ultrapasso à vontade este telhado”.
RuPaul




Há um tipo de choro bom e há outro ruim.

Há um tipo de choro bom e há outro ruim.
O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome. Era. Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar. É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer.

Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.
Clarice Lispector
Ultimamente aprendi o que é o choro bom.