Porque os sábados são como os Natais #13

Quando practicava desporto tinha sempre problemas com o número da camisola. No voleibol podia muito bem jogar com o 13, mas no futebol quase nunca me deixavam jogar com o número 13.

Gosto muito do número 13. 

Kandandu Angola #4.8 e 1/3

4ª viagem e à 9ª semana de trabalho que só tem dois dias volto a Portugal. 
No sábado fui ao Cemitério dos Navios. O Cemitério dos Barcos fica na praia de Santiago, Luanda Norte. A distância ao centro de Luanda é de apenas 20Km. 20Km que demoraram duas horas a fazer. Uma parte por minha culpa porque estava sempre a parar para tirar fotos.
Luanda Norte foi esquecida no tempo. Ou melhor, Luanda Norte está parada no tempo. Depois da antiga localização da feira do Roque começa a verdadeira Luanda. Uma Luanda que não aparece nos postais. Ao ir para Norte observa-se nitidamente a diferença entre a parte rica e a pobre. À esquerda a parte em que apostaram para os cartazes sobre a bela Luanda, as praias. À direita, Musseques e mais Musseques. Os Musseques são grupos de tijolos em cima de tijolos com zinco a fazer de telhado e com mais tijolos a prender o zinco e que tomam a forma de uma casa. 
Nos Musseques não há recolha de lixo, são os próprios habitantes quem queimam o lixo a céu aberto. 
Nos Musseques não há planeamento e ordenamento do território. A construção é à rebeldia e de acordo com os espaços vagos.   
Nos Musseques quando alguém morre não há velório na casa do morto. Os caixões não conseguem sair das paredes da casa ou passar nas mini estradas se fôr colocado na horizontal.  
Nos Musseques fazem-se negócio com tudo. As roupas das ONG são vendidas à porta das casas que ficam à beira da estrada e chamam-se "venda de roupa de fardo".  
Nos Musseques constroem-se à volta dos Imbondeiros. A sabedoria popular diz que quem abater um imbondeiro nunca mais terá sorte na sua vida.   
Nos Musseques descansam-se à sombra dos Imbondeiros.  
Dada a grandeza dos Musseques as distâncias são realizadas por mota. Existem táxis-mota às entradas dos Musseques. A esses táxis-mota chamam-se Kupapata
Nos Musseques a água é fornecida por camiões de água e as mulheres, carregam os bidões de água à cabeça.
Nos Musseques criam-se gado.
Nos Musseques não há planeamento familiar. 
Nos Musseques homem que não seja poligamo é a anedota do grupo.  
Nos Musseques o sexo forte é o feminino. As mulheres angolanas carregam o peso do sustento da vida delas, dos filhos e do marido na cabeça e às costas.
Deixo aqui todo o meu respeito e consideração por estas mulheres. 

Dados da foto: eu
Data: 25-Setembro-2010
Musseque na zona do Cacuaco, Luanda, Angola

Volto a Portugal amanhã porque os trabalhos cá já não justificam a minha presença. Voltarei em breve com mais crónicas sobre Angola.
P.S. - Quando comecei a escrever o meu objectivo era falar sobre a grandeza do cemitério, mas o meu lado mais emotivo foi mais forte que a razão.



Musicoterapia: I Still Haven't Found What I'm Looking for

Porque esta já foi uma das músicas da minha vida. 
E porque vou, pela primeira vez, ver os U2 ao vivo. :) 

Música: U2 - Still haven't found what I'm looking for

Happy Birthday, dear blog!

5 years of sharing!


Insomnia ...

Silence is golden #07

9 palavras mortais

They say it has no memory #13

Já não me lembro de ser outra pessoa.

no comments #02

Um dia andei pela primeira vez de avião. Fez ontem quinze anos que esse dia aconteceu.
Um dia cheguei a Coimbra pronta a lutar por um sonho.  Faz hoje quinze anos que esse dia aconteceu.
Um dia voltarei a tirar outro curso. Não é hoje esse dia.
Dados da foto: eu
Data: 26-Setembro-2010
Praia do Grill,  Ilha de Luanda, Angola

"They´re just moments. They´re not life…" #15

being still and doing nothing are two very different things. ...
from movie: Karate Kid
Autor da fotografia: Alex Pinto
Ver mais aqui.

Kandandu Angola #4.08


4ª viagem, 8ª semana em Angola.
Poucos copos, má alimentação, muito trabalho, dormir pouco.  
Hoje sinto-me cansada e com pouco assunto sobre Luanda. Talvez esta tenha sido a semana em que menos coisas aconteceu além das actividades relacionadas com trabalho. Ou então aconteceram pequenas coisas que não merecem relato. 
O feito desta semana foi que conduzi pela primeira vez em hora de ponta. E dizem vocês: ena, grande coisa! 
Para mim, é um grande acto. 
Até ao momento só tinha conduzido ao fim-de-semana e era só para ir à praia. Desta vez fui até à zona da ilha de Luanda jantar com uma amiga que trabalha na concorrência. Se no início estava com um certo receio, não por mim mas, pela quantidade de jeeps ou hummers que podem dar um pequeno encosto ao pequeno hyundai e virá-lo, cedo apercebi-me que tenho é que ter cuidado com os candogueiros e não com os restantes motoristas. Não foi fácil. Aqui as regras de trânsito não são respeitadas, os semáforos quase nunca funcionam, uma estrada de duas vias parece de quatro, os carros metem-se uns pelos outros e até a porcaria das luzes de trazão dos carros não são substituídas.
Fiz o meu trajecto, conduzi ao anoitecer e regressei a casa já noite. Não fui mandada parar e se o tivesse sido já tinha preparado o dinheiro para a 'gasosa', com dinheiro num bolso para dar ao polícia. Cá funciona assim. :( 
A experiência é a repetir, agora que vou continuar a regressar quase de mês a mês.
O trabalho correu muito bem nestas semanas. Disseram-me que eu não posso trabalhar a 200 à hora em Angola. E eu achava que estava a trabalhar a 60. O fecho dos trabalhos cá correram tão bem desta vez que volto a Portugal mais cedo. Fizemos um teste à minha primeira estadia cá completamente sozinha e eu dei conta do recado. Além de me sentir feliz e realizada, acho que atingi os meus objectivos como pessoa que passou por continuar a adaptar-me bem em Angola. 
E sinto que adaptei-me bem quando conheço as tascas, os mini-mercados, compro fruta na rua e na rua e falam comigo em mangolês e eu percebo. Além que continuam a chamar-me de mulatinha. :)

A frase desta semana foi dita por umas raparigas lá no Cliente que me perguntaram sobre o que é que eu conhecia cá, e elas responderam:
- tu és mais angolana que nós, até de mufete e calulu gostas.
Gosto da comida, sim! Já tinha dito que é parecida com a madeirense. Não estranhei nada. 
Dados da foto: eu
Data: 18-Setembro-2010
Complexo Turístico Doce Mar, Cabo Ledo, Angola

Amanhã vou ao Cemitério dos Barcos e não, não vou sozinha. Vou eu e claro, o Domingos. :)



Smile of the day # 16

No sofá da casa de um benfiquista


"Home is where you can say anything you like cause nobody listens to you anyway. " 

E porque as paredes às vezes têm ouvidos, mais vale dizer abertamente o que pensamos quando nos questionam sobre algo. 
Aceitei o desafio do Paulo e respondi a dez perguntas, dez perguntas que me fizeram pensar muito. 
Nunca é fácil responder quando o assunto é "eu". :)






Soltas #16

"- Acho que o importante é fazer alguma diferença - disse ela. - Mudar realmente alguma coisa, percebes?- O quê, tipo "mudar o mundo", é isso?- Não o mundo inteiro! Só aquele bocadinho à tua volta. Ficaram em silêncio durante um momento, de corpos enrolados um no outro, na cama de solteiro, e então desataram os dois a rir com vozes graves de antes da aurora.- Nem acredito no que acabei de dizer - murmurou ela. - Parecia uma velha, não parecia?- Um bocadito."
Um dia de David Nichols





Este é o início do livro que comecei a ler ontem à noite! 
Hoje só quero que chegue logo para poder retomar a leitura.

de viagens e outros assuntos #03

À distância de uma chamada ou à distância de uma mensagem no MSN ou no googletalk está o meu irmão mais novito. Hoje o oceano atlântico separa-nos. Para a semana já estaremos no mesmo continente. Hoje ligou-me a dizer que está a adorar a praxe. Para a semana já não sei se dirá o mesmo. Para já ele está a gostar da sensação de independência e de finalmente poder mostrar valor sem os irmãos a protegê-lo e de os meus pais a fazerem-lhe tudo. Os meus pais estão sozinhos na casa da ilha. Sete filhos e nenhum está em casa. Quatro no continente, três na ilha. O meu irmão deu aquele pequeno grande passo que lhe faltava e pegou na mala e foi em busca do sonho de poder saber fazer aspirinas. Está a amadurecer o Rosa mais novo. :)

Porque os sábados são como o Natal #12

Das coisas que mais tenho saudades da Madeira... é de passar horas a brincar com os meus sobrinhos e com as filhas da Sónia.

5 factos. 10 coisas que gosto.


A Kelle desafiou-me a contar 5 factos e 10 coisas que gosto. 



Factos
* Sempre que viajo guardo as moedas e tento regressar a casa com uma espécimen de todas as moedas do país que visitei. O meu pai faz colecção de moedas.
* A cor do meu cabelo não é natural. Pinto-o por causa dos brancos e não são poucos.
* Ando sempre de saltos. As havaianas são metidas na mochila quando vou à praia e só troco de sapatos ao sair do carro. 
* Só tenho MEO em casa por causa do meu pai e ele só vai a Lisboa de três em três meses por causa das consultas da minha mãe.
* Sempre que vou à Madeira tenho um jantar com as minhas comadres. Umas delas nem são comadres. :) Mas, conhecemo-nos desde os 10 anos de idade, somos todas do Estreito e estivemos sempre em contacto umas com as outras nas últimas decádas.

Gosto de: 
01. Ler; 
02. Usar vestidos de verão;
03. Ir ao cinema sozinha;
04. Estar com os amig@s... sem data de fecho da loja;
05. Ver futebol no sofá da casa dos meus pais;
06. Jogar às cartas com a família;
07. Viajar;
08. Conduzir e ouvir música;
09. Nadar;
10. Rir.

Vou passar este desafio a:

Musicoterapia: leave all your love and your loving behind you

Porque esta é a música que me informa de que tenho alguém a querer falar comigo no meu telemóvel pessoal. 
E porque o telemóvel pessoal toca muito menos quando cá estou em Luanda. 

Música: Florence and The Machine - Dog Days are Over