Musicoterapia: I have seen

Porque esta é uma daquelas músicas que me fazem bem!
Música: Zero7 - I Have Seen

Divagações #04

Lido muito mal com pessoas que passam a vida a olharem-se ao espelho.  Lido muito mal com pessoas que não são capazes de ter espirito de grupo. Lido ainda pior com pessoas que não são capazes de pensar além de si próprias e que só abrem a boca para realçar a sua pessoa acabando por dizer só disparates.
As sonsas com mania de gaja boa, que só dizem merda e que param à frente de qualquer montra ou espelho para se verem fazem-me asco. Ainda por cima achando-se as melhores do mundo acabam por se vestir mal e à pacóvia, dançam só para o espelho, dizem mal de tudo e todos e o pior... se a ideia não fôr delas não colaboram.
 
Lido melhor com pessoas que não sabem ouvir, rabugentas, que falam o que pensam, agressivas e com mania de superioridade mas de alma generosa.

Pronto. Já desabafei.   
 

"Family matters, bounds matter."

Há 18 anos atrás e apesar de não saber nada sobre planeamento familiar condenava a minha mãe por estar grávida do 7º filho.
Há 18 anos atrás estudava no Funchal e cada vez que dizia o número de irmãos que tinha diziam-me "isso é normal em Câmara de Lobos". Mas eu sou do Estreito.
Há 18 anos atrás já tinha mudado fraldas e feito biberões e papas a 3 irmãos tendo até substituido a minha mãe nas idas ao Centro de Saúde. 
Há 18 anos atrás aquele que era o meu irmão mais novo tinha acabado de fazer seis anos.
Há 18 anos atrás na noite de 28 para 29 de Agosto estava com a minha irmã deitada no sofá a ver uma novela de nome Pantanal quando a nossa mãe chamou-nos do seu quarto e pediu-nos para arrumar a mala do bebé.
Há 18 anos atrás ganhei um irmão mais novo.
Para dois anos depois chorar de cara lavada no dia em que tive que o deixar na creche mesmo estando ele a chorar e a gritar por mim.  
Hoje ele faz 18 anos e espero sinceramente que os resultados da colocação na Universidade digam Lisboa.

They say it has no memory #09



Tim Donohue: Leave this Justin. Go home.
Justin Quayle: I can't go home. Tessa was my home. 
from movie: The Constant Gardener


Já não sei a que chamar de minha casa.



"They´re just moments. They´re not life…" #11


(Lisboa)
Arthur Eddington: It wants to travel in a straight line, but it can't. Why not?
Winnie Eddington: Because the bread is making a shape.
Frank Dyson: The apple follows the curves made in space.
Arthur Eddington: Yes. Yes, space is shaped. And that is how gravity works. Space tells objects how to move. Objects tell space what shape to be. And there's a way to prove it.
from the movie Einstein and Eddington
Autor da fotografia: Jorge Abreu
Ver mais aqui.

As noites em Angola #3.05


As rotinas transformam-nos em animais de hábitos. 
No mês de Julho ganhei rotinas em Luanda. 
E durante esta semana de Agosto em Luanda não tive nenhum dia semelhante ao anterior. 
Para mim, ir ao mesmo sítio duas vezes seguidas transforma-o em local conhecido. Sorrir transforma-nos em pessoas simpáticas e acessíveis e abrem-nos muitas portas. 
Na Madeira dizem que tenho a mania. Em Lisboa passo despercebida e o sorriso é visto como uma loucura. Em Luanda passo meia despercebida, a cor da pele não engana, o sorriso é considerado saudável e sou tratada quase que por igual. 
Não chego a ser igual porque dizem que sou conservadora. Um angolano informou-me que nós, as portuguesas, somos muito conservadoras mas que eu já sou mais acessível que a maioria das que ele conhece e que o segredo da boa adaptação talvez esteja aí, falar abertamente com todos, tratar todos por igual e deixar-se invadir pelo sentimento de liberdade que o angolano pensa que tem. 


Volto hoje a Portugal. Se tudo correr bem, regresso na noite do dia 12 de Setembro para mais uns 19 dias em Luanda para mais tarde regressar assiduamente uma semana ou mais por mês.
Por já ter passado o primeiro impacto e como as idas a Angola vão se tornar um hábito fecho a série d' "As noites em Angola" com este post.
Darei início à spin-off semanal, sempre que por cá estiver, com o assunto "Kandandu Angola" que significa Abraçando Angola.

Smile of the day #12

(Maianga, Luanda)

As noites em Angola #3.04

(este é um post quase madeirense)
A comida cá é muito semelhante com a madeirense. O funge de milho é nada mais nada menos que o "nosso" milho. O milho antes de ser frito e que acompanhamos com fantásticos bifes de atum ou bacalhau na brasa ou os chicharros com molho à vilão.
Saudades de milho? Não. 
No fim de Julho comi funge de milho e de mandioca na Funge House e quando fui à Madeira no início de Agosto a minha mãe fez questão de fazer um prato aqui para a Je. Pequenas baboseiras à filha mais velha. ;)
Cá em Luanda disseram-me que conseguem distinguir a boa fazedora de funge da má. Claro que questionei logo como é possível. Explicaram-me que tem a ver com o cú. Se fôr arrebitado é boa fazedora de funge, se estiver já meio descaido a mulher faz mau funge ou nunca fez. O não fazer funge dizem que é pouco provável porque é tipo tradição que passa de mãe para filha. Na Madeira passou só da minha mãe para a minha irmã, o meu pulso não consegue mexer o milho durante aquele tempo todo... nem usando a luva ortopédica para a tendinite. :(
Outra coisa que fazem muito cá é carne seca. A carne seca é a "nossa" carne corada ao sol. A nossa é cozida com semilhas (aka batatas) e servido sem mais nada. A deles é cozida com quiabos, couve, tem molho e a companhar ... funge! É comida para sustentar. 
Aqui a sopa mais simples sustenta. Adorei todas as sopas que já comi cá, pois levam de tudo, desde o feijão, carne, batata doce, cenoura. Até inhame, que não aprecio, já vi na sopa! Lembram-me as sopas que a minha mãe fazia antigamente. Quando eramos 7 filhos em casa, a sopa tinha que alimentar e ser rápida, ou seja, tudo na panela e toca a cozer.
Ontem foi a primeira vez que comi um doce de cá, visto não ser muito gulosa - à excepção de chocolate e alguns gelados - nunca pedi nada de sobremesas. Mas ontem, no hotel onde a minha directora de cá está temporariamente hospedada comi uma pequena delícia. Ela estava a tomar pequeno-almoço quando cheguei e fui tomar café com ela. Ela já tinha guardado um pouco de um doce para mim. Leva coco, que não gosto, laranja, amendoim outros frutos que não consegui perceber e açúcar! Uma bomba calórica em ponto caramelo. Muito saboroso. Principalmente porque mal se nota o coco. :)
E sabem o melhor da história? Acho que fiz um novo amigo.
O chef de sala e responsável pela cozinha hoje perguntou à minha chefe por mim, pela amiga do questionário alimentar. Será que hoje ele já iria responder às questões e não sorrir tanto?  :)
Dados da foto:
Autor: eu com o BB
Data: 25-Agosto-2010
Doce do Hotel Skyna, Luanda, Angola

Soltas #12

(Maianga, Luanda) 
"Aquilo a que chamamos destino é em grande parte decidido pelos nossos antepassados, não pelas estrelas. Quando falamos sobre a história antiga aqui, nós referimo-nos sempre ao destino; mas não nos queremos referir de facto ao incontrolável. É claro que há eventos que parecem acontecer vindos do nada e que mudam o curso das nossas vidas, mas o que realmente determina aquilo que nos acontece são as acções daqueles que estão à nossa volta e daqueles que vieram antes de nós."
A Ilha de Victoria Hislop

Silence is golden #03

(Maianga, Luanda)

As noites em Angola #3.03


Obter visto para vir a Angola não é fácil. A quantidade de papéis necessários, o escrever com a caneta preta e sempre com a mesma caneta porque eles percebem quando a caneta é diferente entre papéis. As fotos de cada vez que preencho um pedido, o extracto bancário de modo a comprovar que temos meios de subsistência, a informação da estadia, o ter já bilhete de avião emitido, .... é muita burocracia junta! Para obter visto de curta, até sete dias, nunca tive problemas.  Para obter o visto ordinário, o de 30 dias, já é mais complicado, e isso vê-se nesta minha estadia de uma semana quando era para ficar novamente um mês.

Ontem adormeci a pensar que teria que entregar o pedido de prorrogação do visto até terça-feira. E a minha preocupação não foi a roupa que veio contada para cinco dias mas que não ia ter livros, séries e filmes para o fim-de-semana. 
A preocupação passou quando hoje de manhã li no Jornal de Angola sobre a Feira Internacional da Música e da Literatura. Vi ali a minha hipótese de comprar literatura e música africana a preços baratos.
Quando me informaram que já não preciso de ficar até terça fui invadida por um misto de tristeza e alegria. 
Alegria porque vou embora sexta-feira e no sábado estarei em Portugal para a despedida de solteira de uma grande amiga que conheci graças a um suspeito do costume.
Tristeza porque já não vou poder visitar a Feira da Música e da Literatura e voltar à Feira de Artesanato de Benfica.

Hoje adormeço a ver o último episódio de Sherlock ou quem sabe se não consigo acabar o livro "A ilha", depende se consigo despachar o que ainda tenho para fazer a tempo útil. 

E se tudo correr bem, desta vez, com o próximo visto, volto na noite de 12 para 13 de Setembro por mais três semanas e aí terei tempo de voltar às feiras que tanto gosto e poder comprar mais quadros, tecidos e estátuas, que fizeram um sucesso entre amig@s e família. 

Sem fotografia.  
Hoje nem almocei de tanto trabalho!

Porque os sábados são como os Natais #08

(Maianga, Luanda)
Tinha a mania que podia mudar o mundo com discursos.
Até perceber que só preciso de agir para mudar o meu.
Antes era mais sonhadora. Hoje sou uma concretizadora. :)

As noites em Angola #3.02

(Este é um post completamente recheado de futilidades)
Em Maio quando cá vim a primeira vez o meu corpo estava na fase final do período menstrual, uma fase que devia ter durado um dia e durou dois. Estranhei, mas nada de mais. Comentei com algumas pessoas e avisaram-me que cá é normal o período durar mais.
Dois dias depois de ter aterrado em Angola em Junho, o período chegou e durou sete dias. Chegou uma semana mais cedo.  Até comentei isso nesta casa.
No início de Agosto chegou a tempo e horas e durou 3 dias entre Madeira e Lisboa.
Regressei a Angola ontem e o período aparece hoje. Uma semana antes e com aquela força que mete medo. 
Em África sofro de um descontrolo hormonal total.
Eu que sempre fui regular e que ao longo dos anos ainda mais regular fiquei, ao ponto de saber que o período chega à hora tal do dia tal... estou completamente desregulada cá.
Existe explicação médica para tal?
É que começo a ficar preocupada pois devo regressar a 12 de Setembro para mais 3 semanas de trabalho. Depende também se conseguir o visto ordinário. Mas, isso é outro post.
Dados da foto:
Autor: eu com o BB.
Data: 24-Agosto-2010
Vista da Avenida de Portugal, Luanda, Angola
Com o BNA lá em baixo :)

Nota de redacção: Hoje quando fiz a caminhada do almoço pensei em fazer um post sobre o facto de ver poucas crianças com os pais nas ruas de Luanda... fica para a um dia destes.



As noites em Angola #3.01

(Maianga, Luanda)
Saí daqui na noite de 23 de Julho!
Regressei hoje.
Em trinta dias o que poderia mudar?
Nada? Errado!
No serviço de Migração e Estrangeiros estive duas horas para poder entrar no país. A fila era enorme e os polícias ou guardas ou seguranças, sei lá como se chamam às pessoas que usam farda no controlo alfandegário, andavam a solicitar as impressões digitais aos indivíduos que como eu passaram oito horas dentro de um avião e ainda têm que estar duas horas numa fila de controlo alfandegário. 
Ainda não comentei cá como é feito o controlo cá, pois não? é um processo burocrático e irritante!
  • Da primeira vez que cá vim tive que preencher um papel para o ministério da saúde onde tinha que informá-los dos países que tinha visitado nos últimos 15 dias, se tinha febre, se tinha sintoma de gripe e se sim, assinalar quais eram esses sintomas (tosse, rouquidão, dificuldade respiratória, dor de cabeça, dores articulares, diarreia, vómitos, etc...). Depois foi a espera da praxe, a entrega do passaporte e desse papel, a fotografia e o carimbo de entrada. A segunda etapa é mostrar o passaporte com o carimbo a outro senhor de farda. A terceira etapa é mostrar o certificado internacional de vacinação ou profilaxia.
  • Da segunda vez, o papel deixou de ser necessário e já nem havia para preenchimento. A espera da praxe, a entrega do passaporte, a fotografia e o carimbo de entrada foi um processo rápido. A etapa de mostrar o passaporte com o carimbo a outro senhor de farda gerou complicações. Um mês causa curiosidade e fui questionada sobre onde ia ficar, que vinha fazer, com quem vinha trabalhar, quais os meus contactos cá e até se já tinha bilhete de regresso a Portugal. Foi um longo questionário e cheguei a pensar que iriam mandar-me de volta para Portugal. Mas não, e acabei por mostrar o certificado internacional de vacinação ou profilaxia ao senhor que suponho seja um enfermeiro. 
  • Desta vez, continuamos sem papel mas com uma longa fila de espera... mas, longa mesmo. A espera da praxe durou quase duas horas, a entrega do passaporte, a fotografia que desta vez parece que ficou mal e eu até fiz piada ao ponto do senhor de farda ao tirar nova fotografia ter pedido: vá lá sorria que não é nada feia... e finalmente o carimbo de entrada. A etapa seguinte foi pacífica, e mostrei o passaporte com o carimbo a outro senhor de farda. E na etapa final quando mostrei o certificado internacional de vacinação ou profilaxia fui questionada sobre porque razão estava a coçar-me! E eu disse-lhe: no sábado estive em Alcochete, na margem sul de Lisboa e vi mais mosquitos lá numa noite do que um mês em Angola. O senhor sorriu e disse: Boa estadia!
Nota de redacção: Não trouxe máquina e nem tirei foto ao dia de hoje com o BlackBerry. 

P.S. - O Avião era um A340 de nome Francisco d'Almeida e com a matrícula CS-TOD.  
Nota para mim: Isto de a maioria dos amigos serem geeks tem que se lhe diga. Preciso de arranjar mais amigas gajAs... para falarmos do senhor da farda que era giro, ou do top que trouxe que não dava com nada mas que era super confortável para a viagem...;)



Musicoterapia: Isso se come em Angola

(Maianga, Luanda)
Aquela música que acaba por ser um resumo resumido da nossa alimentação cá. :)

Música: Duo Ouro Negro - Muamba, Banana e Cola

de viagens e outros assuntos #02

(Lisboa) 
Ao almoço com a T, no meio da conversa, surge a million dollar question
- Aceitarias mudar-te para lá? 
Dei por mim a responder sem pestanejar a palavra SIM. 

Fica mais complicado ir à Madeira, pois fica. 
Mas, se falarmos de pessoas, o que me prende cá em Portugal Continental é um pouco menos do que o que me prende na Madeira. 
E, se falarmos de satisfação profissional o que me prende cá é muito mais do que o que me prende na Madeira. E se eu em Angola consigo sentir-me realizada profissionalmente, porque não mudar de casa?  ;)
Tirei o curso e trabalhei em Coimbra. Nos últimos cinco anos trabalho em Lisboa apesar de já ter estado num projecto no Porto durante um ano, nesse ano só vinha a Lisboa aos fins-de-semana. Agora tenho Angola.  A minha constante é a ilha.

de viagens e outros assuntos #01

(Lisboa)
Check-in online feito! 
Ao almoço vou ter com a T. para receber uns livros para uma biblioteca de Luanda. 
Levo roupa para dar. 
Engraçado como a minha prioridade ao fazer a mala mudou. Há dois meses atrás preocupei-me com a roupa do trabalho, a da noite, a de fim-de-semana, yada yada. Nestes últimos dias preocupei-me com a qualidade da selecção de roupas que fiz aqui e na Madeira para levar e doar lá. Desta vez não tive tempo para fazer recolha de roupa para nenhum orfanato. Esse será o objectivo da próxima ida. 
A mala está quase pronta. É só uma semana!  Regresso já na noite de sexta para sábado.

Muitos itens que antes considerava-os indispensáveis hoje considero-os fúteis e já não têm espaço na minha mala. 
O fim-de-semana passado quando fui à Madeira só levei a roupa do corpo, a escova de dentes, o desodorizante e o creme facial. Não levei alternativas a nível de roupa, disse a mim mesma que tinha que optar apenas entre os trapitos das 3 gavetas ocupadas por mim na casa dos meus pais.  E não andei nua nem mal vestida. :)

They say it has no memory #08

(Lisboa e fazendo a mala para passar a semana em Luanda)

Prime Minister: Whenever I get gloomy with the state of the world, I think about the arrivals gate at Heathrow Airport. General opinion's starting to make out that we live in a world of hatred and greed, but I don't see that. It seems to me that love is everywhere. Often, it's not particularly dignified or newsworthy, but it's always there - fathers and sons, mothers and daughters, husbands and wives, boyfriends, girlfriends, old friends. When the planes hit the Twin Towers, as far as I know, none of the phone calls from the people on board were messages of hate or revenge - they were all messages of love. If you look for it, I've got a sneaking suspicion... love actually is all around.  
from movie: Love Actually

Já não sei o que é chegar ao destino e ter aquele abraço.

IT crowd

(Lisboa) 
Jantar não com os suspeitos do costume mas com suspeitos que podem se tornar usuais. Bowling. Dois strikes. 63 pontos no total. Não estou em forma. Temos que repetir. :) 

"They´re just moments. They´re not life…" #10

(Lisboa)
Quando era mais nova o dia de hoje era o dia da cidade
Quando era ainda mais nova o dia de hoje significava uma ida à praia com o meu pai enquanto a minha mãe ficava a trabalhar.
memórias da patxocas
Autor da fotografia: Paulo Camacho
Ver mais aqui.