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a ler: As Benevolentes de Jonathan Littell



"Ora, a máquina do Estado é feita do mesmo aglomerado de areia friável de que é feito aquilo que tritura, grão a grão. Existe porque toda a gente aprova a sua existência, até mesmo, e muitas vezes, até ao último minuto, as suas vítimas. "


Divagações #19


Imagem do site The Mind Travels


Uma fotografia consegue ter pelo menos três histórias. A do fotográfo, a do fotografado e a de quem vê a imagem. 

Esqueçam as ilusões ópticas, as ilusões criadas com perspectivas, as inesperadas. Uma imagem consegue ser completamente desconstruída quando se vê no que não existe o que queremos que exista.
A força do medo e a esperança de que o que não queremos que aconteça, aconteça de facto, para que possamos respirar de alívio e não nos culpabizar de algo, é superior à visão imparcial sobre a vida de terceiros.

Porque vivemos na era do Big Brother, todos assumem no que veêm a realidade sábia da ficção que escrevem. 


  




Divagações #18


Fui feita para trabalhar em Inglaterra. 
O pormenor, a delícia que é ao final do dia ir beber uma cerveja com os colegas de trabalho e falar sobre a selecção espanhola, sobre o 4-4-3, sobre os sapatos da Zilian, sobre os saldos da Promod, sobre os castelos de areia, fascina-me. 

Trabalhar em Portugal é deprimente, todos estão sempre com pressa, ninguém aproveita o momento, poucos são os capazes de  dizer "Gosto de ti", muito menos os que espontaneamente  ligam a dizer que sentem a nossa falta. 
Angola teve um efeito secundário em mim, o prazo de vida que deram à minha mãe teve um efeito secundário em mim. 
A vida é tão curta e passamos mais de metade a queixar-mo-nos dela, ou porque uma chefe é chata ou porque um chefe não percebe da coisa, ou porque um colega é lento e não é perspicaz e audaz. Poucos são os que sorriem e gostam do que fazem. Poucos são os que acham piada ao Relvas e à capacidade de criatividade da classe política. Muitos tal como eu, estão cheios de trabalho a acumular funções porque colegas de trabalho estão de férias! Muitos estão de mau humor, muitos mal dispostos. Mas outros tantos também estão como eu, a sorrir a beber umas cervejas, a comer uns caracóis sem pensar que a vida,... tem prazo.



nota: post escrito ao som de Awolnation-Shoestring (link).

Divagações #17


Tivesse eu a capacidade de dispensar as horas de sono que o meu corpo necessita para descansar e este blog estaria inundado de parvoíces no meio de certezas. 

Das convicções da ilusão que é a felicidade, é parvo sentir que de repente sou uma sortuda?
Fashion Week Australia  (Foto de: Stefan Gosatti / Getty Images)

Divagações #16



Muitas vezes não me interessa o que os outros pensam. Outras vezes rumo contra a maré. Se gosto de algo não me importo de remar sozinha, não me importo de lutar sozinha, não me chateia o silêncio e o desprezo, luto pelo que quero. 
Há dias que acho que devia estar calada e não dizer a minha opinião. 
Muitos se queixam do Governo, outros dos sapatos apertados, uns das galinhas que não dão ovos, outros de séries que engonham e, alguns, de projectos que já começaram com derrapagem e marteladas. 
Esquecem-se que tudo tem uma razão, dinheiro.
O governo - este e o anterior -  é uma grande bosta e não vai ser em 4 anos que se endireita o que tem sido alimentado de forma errónea;  tomar as rédeas de um projecto que começou mal e tentar que a integração funcione apesar dos alinhavos e das marteladas demora o seu tempo; comprar uns sapatos um número abaixo à espera que alargue é sinal de burrice.
As queixas são sempre as mesmas.  
Uma das muitas coisas que não percebem é que para saber apreciar o momento, para poder perceber algo, para poder julgar é preciso calçar os sapatos, é preciso saber a razão, é preciso saber o porquê. 
E isso, só com muita experiência de vida. Muita experiência mesmo.

Podemos todos achar-nos peritos em algo, mas somos todos peritos em nada e todos os dias aprendemos algo, caso contrário estamos condenados ao feitiço do tempo, a viver sempre o mesmo todos os dias.
Ou então esqueçam... esqueçam tudo o que viram até hoje. Porque a vida, tal como ela é, é a ilusão que criam da realidade. 
Cannes 2012: Cheryl Blends Into The Carpet




Divagações #15



A vida pode ser escrita por terceiros. Terceiros podem viver a nossa vida. Podem nos ler e acharem as suas vidas vazias e completam-na com a nossa, pegam nas nossas experiências e virtualmente vivenciam os sentidos alheios. Enchem o void das suas vidas, a nulidade que são com a alegria e capacidade de sobrevivência de terceiros.  Roubam ideias, não dão créditos, bajulam por interesse. 
E eu calo-me, porque sou assim... sou capaz de dar a segunda face, mas incapaz de entrar em conflito.
Viro as costas. 
Gostava de ser má. Muito má e poder dizer muita merda. Seria estranho ver-me a denunciar a ficção que é a vida dos que me copiam, dos que vivem através das minhas palavras. Mas, o que seria mais estranho seria confrontar essa pessoa com a vida, tal como ela é, sem esquizofrenia e bipolaridade de sentidos.

Stranger Than Fiction (2006)

Não existem duas verdades



Não existem duas verdade para opções diferentes. Os rumos devem ser diferentes de acordo com a escolha. O que aconteceu foi a bifurcação de um caminho em dois, o que está acontecer, agora, é um loop, e o resultado é eu ficar hoje a trabalhar até encontrar o percurso certo, da verdade e da mentira.  

Imagem do site ElroyKlee 

escrito no moleskine #03



(escrito em Janeiro de 2010)
Só o simples facto de estarmos longe de quem/algo que amamos aumenta em nós a insegurança e a certeza da nossa inutilidade em poder fazer algo.


Imagem do site Send4Help 



escrito no moleskine #02



(Escrito em Abril de 2009)

é impressionante o quanto mudamos
Yellow é uma música que agora praticamente não me diz nada. 

Kenny Scharf, Blobarino, 2011.


escrito no moleskine #01


Escrevo muito no moleskine de capa vermelha que me acompanha para todo o lado, e rapariga que sou que aceita todo o tipo de desafios, aceitei colocar aqui pequenas divagações / desabafos que se encontram no livro vermelho. 
Começo com esta: 


Diz isso com sotaque, vá, não penses no que vais dizer. 
Diz, és tão engraçada quando falas rápido.

Mas este gajo (colocar aqui o nome de um continental) pensa que sou palhaça ou quê? 


Divagações #14


Às vezes dá-me uma vontade enorme de passar para digital tudo o que escrevo em papel.
A vontade passa no momento em que deixo de lado a bic (cristal) e recorro ao teclado. Quando releio tudo o que escrevo, consigo envergonhar a minha pessoa. 

É tanta asneira junta.



Divagações #13

Consumo-me a mim própria. Trato da fachada e por dentro não cuido nada. Elevo sempre as expectativas, aumento a desilusão e prospera a tristeza. Sofro por antecipação. Luto, sou sincera, sou pró-activa, sou operacional e as más energias parecem apoderarem-se da realidade e acabam por não reconhecer o meu esforço ou ignoram o meu papel. Há dias em que me sinto transparente, inútil e sem um objectivo. 

Hoje, como conselho matinal recebi a frase: "Não te consumas". 
Pensei, às vezes penso demasiado, e pensei muito até perceber que o que devo fazer é mesmo esperar (com mais paciência) para alcançar, porque mereço, mereço tudo! 

Fui consumida pelo positivismo. 
Fonte da imagem: Duma

Abandonei a conjunção das palavras "E se..."



Fiz
Tirei a minha conclusão.
Aprendi. 


As experiências fazem quem eu sou. 





Divagações #12

Doente, engripada, muita tosse (não passa), as tais dores intestinais e a chá, muito chá. 
Em casa morro de tédio, estou a ler alguns e-mails do trabalho mas não respondo, o sofá já está farto de mim e a cama idem. 
Faltei ao PGGD de ontem. Damm que raio de organizadora sou. 
Stressei por causa dos bilhetes do Bon Iver, recebi sms a informar-me de filas para comprar. Meti umas calças de fato de treino por cima do pijama e fui a pé, suando por todos os poros, comprar o bilhete. Já viram o calor que está lá fora? Quem está fechado em casa não sente nada além de dor. Fiquei pior e as dores de cabeça aumentaram, não devia ter ido a correr. 
Amanhã tenho cabeleireiro, vou fazer madeixas pela primeira vez em Portugal Continental graças à Groupon e vou faltar a uma passeata com amigas pelas retrosarias da Baixa Chiado. Já acabei a minha gola de tricot. Entusiasmei-me e acho que está demasiado grande. Tenho que pedir ajuda às experts, T. e S
Bebo chá, acho que já bebi um da Mariage Fréres, Twinings, gourmet Continente, Kusmi, Empório do Chá, Pérola do Chaimite, Palai de Thés, whatever. Ao final do dia terei cá em casa amigas com quem vou dividir esta paixão e outras, trazem-me livros.
Vejo filmes. Ou melhor, estou a aproveitar o livro deste mês do Clube de Leitura para rever todas as adaptações de Pride and Prejudice. Até Bride and Prejudice marchou, foi nesse filme que fiquei a conhecer melhor o Sayid do Lost, depois de o ter visto no Paciente Inglês. Tão lindo que ele é, mas nada bate o meu Faraday (smart is the new sexy). Tenho saudades de Lost, de uma série que desperte em mim ódio, raiva e ao mesmo tempo dedicação e admiração.  
Tenho visto Once Upon a Time e lido Fables. Gostaria que em Once Upon a Time existisse só um Prince Charming tal como em Fables, seria mais realista, porque um homem nunca se contenta com uma, porque só acaba com uma se já tiver outra. São todos assim os meninos que não conseguem viver sem uma mulher. Têm que ter já uma substituta para poder dispensar a titular. Tal como no desporto, só existe substituição se houver alguém no banco à espera de brilhar. Talvez seja por isso que os homens tanto desesperam e gritam "E agora?" quando alguém é expulso. Mal sabem eles que às vezes, menos é qualidade. 
Qualidade que se ganha com dedicação e esforço. 
Esforço que faço para manter os olhos abertos, não quero me deitar, doí-me as costas, a medicação torna-me lenta, quero sol, quero sair, quero ficar doente na minha ilha. Aqui não tem piada. Ontem vieram cá duas amigas, fizeram-me o jantar. Coimbra tem este efeito nas amizades, elas são mulher e ex-namorada de colegas de curso, a presença delas é agora menor mas quando preciso, ou elas precisam, a amizade é mais forte que os fantasmas do passado.
Passado que insiste em bater à porta e trazer a sensação de dejá-vu. Terei eu que escolher entre a red pill ou a blue pill? O País das Maravilhas não é assim tão promissor, já lá estive e é como tudo na vida, o entusiasmo inicial o optimismo em querer ajudar e, num segundo os sonhos viram pesadelos. Talvez deva tomar a vermelha, acordo e acredito no que quiser, tal como tenho vindo a fazer... mas os olhos não mentem e o aborrecimento da realidade é disfarçado com um sorriso ou com o silêncio. 


Posso ter afirmado com todas as minhas forças que foste um elemento neutro na minha vida e que ao mesmo tempo continuas a ser o homem que amei no passado.
Mostraste felicidade quando te contei que tinha uma espécie de namorado. Ficaste furioso quando te contei o que aconteceu. 
Aos poucos a tua neutralidade ganha protagonismo e voltas a transformar-te numa das constantes da minha vida. 
Obrigada pelo apoio e até daqui a uma hora, onde estaremos com os  suspeitos do costume. 

Sabes que este Obrigada custou-me imenso a dizer, não sabes? 


Depressão é apática
Depressão é inócua
Depressão é triste
Depressão é imperceptível
Depressão é não querer viver
Depressão causa nada no ser que a sente 
Depressão é a inutilidade dos que amam o deprimido/a
Depressão é o que ouço quando uma voz fala comigo
Depressão é quando ela tenta falar comigo e se perde no diálogo. 
Depressão é não conseguir perceber o que dizemos. 
Depressão é prolongar os segundos de silêncio. 


Depressão não é ter medo do fim do mundo.
Depressão é muito mais que isso...

Isto tudo a propósito do filme que vi recentemente de nome Melancholia.

Divagações #12

Curioso como numa semana deixamos de perguntar se está tudo bem para passar a questionar como está.

Divagações #11


Se eu tivesse o dom de poder transformar os meses em horas e os dias em segundos não acordaria com um salgado sabor no rosto. 

Divagações #10

Se podia viver sem tanta confusão na minha vida? Podia, mas não era a mesma coisa. 

Lambo a ferida causada pelos espinhos e tolero o mundo como ele se apresenta a mim celebrando 421 meses de vida.